Edição 325 | 2019

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14/03/2019 14:26

Olha o golpe!

Idosos são as principais vítimas de estelionato. Conheça os golpes mais comuns

Divulgação
U ma dupla de rapazes uniformizados aparece em frente de uma residência e se identifica como representante de uma prestadora de serviço. Diz que há problema na fiação ou no aparelho do serviço contratado e pede para entrar. O morador inocentemente permite. Enquanto um finge mexer no aparelho o outro junto com o dono da casa verifica as instalações. “Está pronto o cenário para o golpe”, diz o advogado especialista em direitos do consumidor e fornecedor, Dori Boucault. Essa tática tem sido usada com frequência por quadrilhas para entrar nas casas de idosos que residem sozinhos ou que passam parte do dia em casa sem companhia.

São muitos os relatos de estelionato, roubo, furto ou assédio moral ou psicológico sofrido por idosos dentro de suas residências. Por isso, o advogado especialista em direitos do consumidor faz um resumo dos golpes mais comuns aplicados e que contam com a ajuda da tecnologia, da falta de informação ou pela fragilidade de quem tem um pouco mais de idade.

Segundo ele, é justamente da boa-fé e da inocência dos cidadãos, que os criminosos aproveitam para praticar os golpes. “Eles conseguem facilmente tirar a atenção das pessoas. Então, é muito importante ter cautela para permitir a entrada de estranhos em nossa casa”, ressalta. Serviços de telefonia, TV a cabo, satélite, internet e assinaturas de serviços comuns como água, energia elétrica ou gás, de acordo com o advogado, são os chamarizes para a invasão de domicílios. “As quadrilhas espalham, por meio de perfis falsos, construídos em longa data, boatos de que seus técnicos vão verificar problemas em determinada região e surge aquela dupla com roupa da empresa. É o começo do golpe”, lembra o advogado.

Aqui, não!
Para se proteger é preciso alertar aos idosos a não atenderem estranhos no portão. Quem não tem interfone instalado deve comprar um. Se não tem, o primeiro contato deve ser feito pelo vidro da janela ou grade da porta. “O morador deve perguntar nomes, motivo da visita, o número de telefone da empresa, nome do chefe imediato, deve observar o crachá, se está de uniforme, se estão com carro que possui a logomarca da empresa”, orienta Boucault. Para ele, os golpistas devem se irritar com tantos detalhes e irão embora. Por isso, o atendimento deve ser da janela, protegido e longe dos desconhecidos. “Lembre-se, se tudo estiver funcionando e se você não solicitou o serviço, não abra a porta, portão ou qualquer acesso a essas pessoas”, reforça Boucault.

Dentro de casa, telefone e internet são outros meios pelos quais as quadrilhas também aproveitam para abusar da fragilidade ou cuidados dos idosos. Seja enviando arquivos maliciosos para seus e-mails, afim de instalar vírus espiões nos computadores, seja construindo páginas falsas com serviços que atendem suas necessidades ou quando ligam para oferecê-los. O advogado lista abaixo os golpes mais comuns:

1. Aposentadoria: Golpista se identifica como fiscal da Previdência e se propõe a conseguir aposentadoria para a vítima que ainda não é beneficiária.

2. Reajuste atrasado: Golpista se identifica como funcionário de algum sindicato e age na saída de bancos. Procura vítimas, dizendo que elas têm direito a receber reajustes atrasados do benefício e se oferece para agilizar o processo. O criminoso pede documentos e, para cobrir as despesas, um depósito antecipado, geralmente, 10% do valor que, segundo ele, a vítima vai receber com o suposto reajuste.

3. Cartão engolido: Golpista usa produto aderente que trava o cartão magnético do banco no caixa eletrônico. O estelionatário observa a distância a vítima digitar a senha do cartão para tentar liberá-lo. Após a vítima desistir e sair da máquina, ele retira o cartão e de posse da senha saca todo o dinheiro disponível na conta da pessoa enganada.

4. Recadastramento bancário: Golpista liga para a vítima e diz ser representante do banco no qual ela possui conta. Na conversa estimula o correntista a fazer recadastramento, digitando os números da agência, da conta, da senha. Por equipamentos capazes de identificar os sinais sonoros dos números digitados, consegue acesso a conta da vítima.

5. Funcionário do banco: Golpista se identifica como funcionário da instituição, simpático se oferece para ajudar idoso com dificuldade de operar o caixa eletrônico. Distrai a vítima, obtém a senha e troca o cartão verdadeiro por outro. Em poucas horas saca, faz compras e gastos com o cartão.

6. Falso acidente: Golpista telefona para vítima e se passa por parente. Diz que sofreu acidente de trânsito e afirma que precisa de dinheiro para pagar o dono do carro que ele bateu.

7. Vendedor de colchão: Golpista procura idosos que residam sozinhos e se passa por vendedor de colchões que vão melhorar o sono, as dores nas costas, a postura, a coluna. Como o produto é caro, oferece empréstimo para a vítima e para isso precisa dos números do benefício e de documentos. Desta forma, usa os dados para obter empréstimo real no nome da vítima.

8. Crédito consignado: Golpista liga para o aposentado e oferece empréstimo. Geralmente, as falsas empresas mandam motoboy com um contrato para facilitar a liberação do crédito e fazer o idoso acreditar que está fazendo negócio com empresa séria.