Edição 324 | 2019

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24/01/2019 16:31

Mais que de estimação

Profissionais alertam sobre quais pontos devem ser analisados antes de adotar um pet. Saiba também como denunciar maus tratos aos animais

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Ter um animal de estimação  traz momentos de alegria para toda a família. A relação entre crianças e animais de estimação, por exemplo, é comprovada por vários estudos como benéfica para ambos os lados, desde que alguns cuidados sejam adotados. Segundo a veterinária e gerente de serviços técnicos Pet da MSD Saúde Animal, Tatiana Braganholo, é importante estabelecer limites e atentar-se a prevenção de doenças no animal.

“As crianças, principalmente as menores, podem não entender a fragilidade e a necessidade de respeitar o espaço do pet. Por isso é importante ensinar a elas que o animal nem sempre está disposto a interagir”, aponta a veterinária. Ela ressalta ainda que dependendo do tempo de convivência e da personalidade do animal, o contato precisa ser supervisionado.

Para as famílias que estão pensando em adquirir um animalzinho, vale lembrar que é preciso avaliar se a sua criança tem alergia a pelos - que assim como a saliva do animal, pode causar reações - e qual animal melhor se adequaria à família. Sempre lembrando que o pet precisará de atenção e cuidados com seu bem-estar, que requerem a supervisão de um adulto. Por outro lado, destinar algumas tarefas relacionadas ao animal pode ajudar no senso de responsabilidade e organização da criança.

Adoção responsável
Antes de comprar ou adotar um cãozinho, é necessário refletir, afinal, cão não é brinquedo nem objeto de decoração. Pelo contrário, é um ser vivo e requer cuidados. Por isso, é preciso analisar se você está disposto a assumir um compromisso sério e por um longo tempo. Cães vivem mais de uma década, o que quer dizer que serão muitos anos de dedicação com alimentação, cuidados com a saúde, banhos e passeios. Então, a primeira pergunta que deve ser feita é: estou preparado para ter um pet?

O veterinário do Clube de Cãompo, Aldo Macellaro Júnior, enfatiza que estar preparado não significa apenas dar “casa, comida e roupa lavada”. É necessário oferecer amor e carinho, além de investir parte do tempo em brincadeiras e passeios. “Mesmo quem mora em casa grande, com quintal, deve dedicar um tempo para o seu cachorro”, afirma. Segundo ele, os cães ficam entediados quando passam longos períodos sozinhos e não realizam atividades suficientes para gastar energia. “Não podemos nos esquecer que o sedentarismo pode ocasionar Obesidade”, alerta o profissional.

O especialista destaca ainda que, assim como os seres humanos, os pets também podem sofrer crises de Depressão, que são alternadas com momentos de grande agitação, levando-os a destruir móveis e objetos, fazer as necessidades fora do local adequado, latir muito e lamber as patas compulsivamente, chegando até mesmo a se machucar.

Macellaro também lembra que ter um cão é assumir um grande compromisso financeiro. Por isso, antes de se render àquele olhar irresistível, é preciso colocar na ponta do lápis os gastos com ração, veterinário e vacinas e também ter sempre uma reserva para situações de emergência. “Ter um animal de estimação implica em responsabilidade, por isso sempre recomendo que as pessoas reflitam muito bem antes de optar pela adoção ou compra do pet”, diz.

Creche canina
Outro fator que deve ser levado em consideração é quem ficará com o cão enquanto o dono estiver ausente, no trabalho, ou precisar viajar. “Adestradores e dog walkers são boas opções, mas é fundamental encontrar alguém com quem o cão se sinta confortável”, explica Macellaro.
Em São Paulo, as creches caninas se destacam como excelente alternativa para quem trabalha o dia todo mas não abre mão de ter um animal de estimação e sabe da importância de oferecer qualidade de vida ao seu ‘melhor amigo’. Os locais costumam oferecer uma ampla gama de atividades, além de atenção, companhia e socialização dos animais. Há creches que contam inclusive com sessões de adestramento, banho e tosa e hotelzinho. Após um dia inteiro de brincadeiras, os animais costumam chegar em casa felizes e cansados, e ter uma noite de sono muito mais proveitosa.

Maus-tratos
Apesar do amplo debate sobre a adoção consciente e as responsabilidades que envolvem a tutela de um animal de estimação, casos de maus tratos ainda costumam ser denunciados diariamente. A boa notícia é que o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou, em 29 de outubro do ano passado, a Resolução nº 1.236, que institui o regulamento para conduta do médico-veterinário e do zootecnista em relação a constatação de crueldade, abuso e maus-tratos aos animais.
Pela primeira vez, uma norma brasileira traz conceitos claros e diferencia práticas de maus-tratos, de crueldade e de abuso. O objetivo é fortalecer a segurança jurídica, auxiliar os profissionais que atuam em perícias médico-veterinárias, bem como servir de referência técnica-científica para decisões judiciais relacionadas aos maus-tratos praticados contra animais.

Como saber?
Os indicadores de bem-estar animal (nutricionais, ambientais, sanitários e comportamentais), que podem variar de acordo com a espécie animal e com a situação em que se encontram, compõem um instrumento reconhecido para o diagnóstico de bem-estar animal e abrangem os principais aspectos que influenciam a qualidade de vida.

Diante desses indicadores, a resolução do CFMV em seu artigo 5º traz 29 itens do que são considerados maus-tratos. Entre eles, o abandono de animais. “Deixar o tutor ou responsável de buscar assistência médico-veterinária quando necessária”.
Também são considerados maus-tratos manter animais em número acima da capacidade de provimento de cuidados para assegurar boas condições de saúde e de bem-estar animal, exceto nas situações transitórias de transporte e comercialização; submeter o animal a atividades excessivas por coerção ou esforço físico por mais de quatro horas, sem descanso, água ou alimento.

Nesse rol também está contemplada a alimentação forçada, técnica para provocar a degeneração gordurosa do fígado para a produção de foie-gras. A partir de agora, com a resolução, a prática é considerada maus-tratos, exceto quando para fins de tratamento prescrito por médico-veterinário.

Denúncia
O profissional que constatar ou suspeitar da prática de crueldade, abuso ou maus-tratos, deve registrar em prontuário médico, indicando responsável, local, data, fatos e situações, finalizando com assinatura, carimbo e data do documento.
Para a comunidade em geral, a denúncia deve ser feita na Delegacia de Polícia ou no Ministério Público.

O boletim de ocorrência pode ser registrado em qualquer delegacia de polícia, inclusive eletronicamente.

A partir da denúncia, a autoridade policial tem o dever de instaurar inquérito ou o Termo Circunstanciado de Ocorrência. Caso o policial se recuse a registrar a ocorrência, é preciso procurar o Ministério Público para noticiar o fato, informando os dados da delegacia e do policial.
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