Edição 321 | 2018

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27/09/2018 14:44

Formação para a vida

Educação Infantil e Ensino Fundamental são a porta de entrada na busca pelo conhecimento e na construção dos seres humanos da próxima geração


Divulgação
No dia 8 de setembro foi celebrado o Dia Mundial da Alfabetização. Instituída em 1968, pela ONU e pela Unesco, a data tem o objetivo de estimular a alfabetização no mundo. E esse processo, apesar de, por vezes, parecer básico e imutável, também sofre transformações a cada nova geração que surge. Nesse quesito, as instituições de ensino também precisam se atualizar a assumir diversas posições para integrar e acolher cada um dos alunos com suas particularidades.

E, escolher a primeira escola para os filhos é uma tarefa que exige grande reflexão, sobretudo para mães e pais de primeira viagem. Afinal, trata-se de um momento de extrema importância para os pequenos, que estão prestes a adentrar no universo da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Por isso, cada elemento, - desde o método de ensino, práticas pedagógicas, estilo de relacionamento e até mesmo as instalações que a escola oferece -, deve ser analisado com bastante atenção pelas famílias, para que os momentos em que a criança passe dentro na escola estejam de acordo com as expectativas que elas buscam.

Mas, afinal, qual é o papel das instituições de ensino? A pergunta esconde uma questão primordial que permeia o conceito de educação hoje predominante no País. Afinal, na escola o aluno adquire conhecimentos em variadas áreas que abrirão portas para que se torne um profissional mais qualificado e uma pessoa mais culta. Por outro lado, valores fundamentais para transformar mais justa, ética e igualitária a nossa sociedade são adquiridos ao longo da vida a partir da convivência com outras pessoas e de experiências diversas. E ser capaz de tirar lições dessas situações não é algo simples, mas, pode ser aprendido em sala de aula. “Precisamos desenvolver uma alfabetização integral em que se possa produzir um solo fértil no qual a pessoa aprenda a desenvolver a sua inteligência emocional, a colocar qualidades nesses mecanismos homeostáticos naturais, que são as emoções”, também a desenvolver inteligência relacional e onírica, já que os sonhos são fundamentais no desenvolvimento da consciência, afirma o reitor da Universidade Internacional da Paz, Roberto Crema.

Mas afinal, por que é tão importante escolher uma boa instituição de ensino para o início da vida escolar? Porque é na infância que o cérebro faz mais que o dobro de conexões em comparação a qualquer outro período da vida. Um especialista do tema, Rodolfo Canônico, em entrevista à Gazeta do Povo, em 20 de julho de 2018, corrobora: “As conexões cerebrais que se formam nos primeiros anos podem ser um fundamento forte ou fraco para aquelas formadas posteriormente. Além disso, a saúde física e mental, as habilidades sociais e as capacidades cognitivas e linguísticas que se desenvolvem nos primeiros anos de vida são importantes para a vida escolar e profissional, além da vida comunitária em si.”

Para o coordenador na Universidade Positivo e membro do Conselho Estadual de Educação, Jacir J. Venturi, “depois de quase cinco décadas como professor e gestor escolar, se meu neto tivesse a oportunidade de estudar em uma escola de excelência somente numa única fase da vida escolar, e esta escolha fosse minha, não seria no Ensino Médio, tampouco na Universidade, mas sim no período dos três aos oito anos de idade”.

Em uma excelsa instituição de ensino, a criança encontra um estimulante ambiente alfabetizador que facilita o ingresso ao mágico mundo das letras. A contação de histórias e as leituras têm efeitos benfazejos para toda uma vida, bem como o encorajamento à reflexão sobre o mundo que a cerca. Ao interagir e dialogar, o pequeno desenvolve a linguagem, o raciocínio e a argumentação. Ademais, as pesquisas indicam que até os oito anos é a fase da vida que o cérebro tem maior plasticidade para aprender uma segunda língua. Tão relevante quanto é o ritual de passagem para o encantador mundo da matemática com suas atividades lúdicas, jogos e brincadeiras que exigem algum tipo de raciocínio lógico.

“No cerne de todo esse processo, fundamental e indispensável é o papel do professor. Por que, nas últimas avaliações internacionais, os alunos dos países asiáticos têm se destacado? A resposta é consensual: na infância, as crianças dessas nações têm professoras e professores – valorizados, respeitados e adequadamente capacitados – apaixonados em contar e ler histórias, entusiastas pelo ensino da matemática de forma aprazível e sem decorebas, com uma sincera curiosidade que é naturalmente transmitida aos educandos”, garante Venturi.

Dada a importância que se reveste nos dias atuais, vale destacar que a boa escola também contribui para o desenvolvimento de hábitos alimentares diversificados e salutares, que têm reflexos positivos por toda uma existência. Diminui, ainda, o risco de a criança integrar as estatísticas de excesso de peso na população, que pela gravidade já é denominado por alguns pesquisadores como a epidemia do século, e nos EUA causou uma queda – embora leve – na expectativa de vida de seus cidadãos em 2016. E tanto lá como cá, o sobrepeso acomete cerca de 30% das crianças. Ademais, uma descoberta feita pela Universidade de Nova York revela que a gula surge por volta dos cinco anos, pois até os três ou quatro anos, em geral, os pequenos possuem um mecanismo de autorregulação cerebral que limita o volume de alimento a ser consumido.

“Não menos importante, numa escola de excelência o nosso infante – príncipe ou princesa – aprende, por meio do convívio escolar com os amiguinhos, as regras básicas de cooperação, o respeito ao espaço do outro e os compromissos com horários, tarefas e normas. E ao nosso rebento são reforçados os bons valores familiares e lhe é propiciado um ambiente de acolhimento e afeto, cuja sensação de bem-estar resultante inunda a arquitetura cerebral de endorfinas e serotoninas que estimulam seu desenvolvimento”, destaca o profissional.

O mundo dos livros
Sabemos que as crianças aprendem muito seguindo os exemplos dos mais velhos. Por isso, é tão importante que os pais, cuidadores e professores, desde cedo, consigam inseri-las no universo amplo da leitura. Ler para uma criança amplia seu universo de compreensão. Brincar com as palavras, incentivar a busca pelo conhecimento faz parte do processo de aprendizado e crescimento.

Através das histórias lúdicas, as crianças descobrem formas, cores, movimentos, ilustrações, e a percepção de que existe vida dentro do livro. “É na primeira infância que elas começam a fazer suas escolhas, faz parte do amadurecimento infantil. Os pais devem oferecer opções diferentes para ampliar o repertório das crianças”, diz a Coordenadora de Desenvolvimento do Material Didático de Português do Kumon, Paula Medeiros.

Ainda de acordo com Paula, proporcionar um ambiente agradável e estimulante dentro de casa, com livros ao alcance para que possam pegar um exemplar sempre que tiverem vontade, são pontos consideráveis. Confira abaixo, outras dicas para estimular o hábito pela leitura.
1. Ler em voz alta em família;
2. Falar de livros, recomendar títulos e presentear as crianças;
3. Sugerir e não impor; 
4. Organizar em casa um espaço específico para leitura, que seja atrativo e aconchegante, com almofadas, tapetes, pufes e, claro, muitos livros;
5. Visitar bibliotecas e livrarias.

Dança como forma de expressão
A procura por outras atividades extras também é preocupação constante de pais e tutores. Oferecer opções diversificadas para os pequenos, incentivar a prática de esportes e ajudar no desenvolvimento humano das crianças permeia a escolha dessas atividades extras. E, de maneira geral, quando não são excessivas, elas costumam agradar os pequenos e ajudá-los na conquista de objetivos e melhora do relacionamento interpessoal. Muito comum nas instituições que oferecem Educação Infantil e Fundamental, a prática do ballet costuma ser preferência entre as meninas.
Segundo o proprietário da Escola de Ballet Adriana Assaf, Robson Luna, a idade ideal para iniciar a prática do ballet é entre seis e sete anos de idade. “Nessa fase, conseguimos fazer um trabalho de preparação física acompanhada com o crescimento da criança, o que é ideal para podermos aplicar as técnicas do ballet clássico. É muito importante preparar o corpo para depois receber a técnica”, enfatiza.

O ballet clássico traz diversos benefícios para a criança como equilíbrio, foco, disciplina, raciocínio, postura, cuidado com o corpo e trabalho em grupo. “Além da parte cultural pois a criança passa a ouvir música clássica e conhecer grandes obras milenares do ballet”, destaca. Mas, antes da matrícula, é importante se informar sobre a escola e o profissional que vai ministrar as aulas: “recomendo a pesquisa. Procure escolas especializadas. O ballet clássico deve ser ensinado por profissionais capacitados e com uma instituição séria. E aí, e só prestigiar sua bailarina”, finaliza Luna.

Como ajudar a criança a enfrentar seus medos sem tirar dela a oportunidade de vivenciar situações que as faça enfrentar este sentimento? A educadora Daniela Rocha, que atua com crianças de 4 anos, abordou este tema no Projeto de Exposições Literárias. A escolha de uma obra para este trabalho partiu da percepção da educadora com uma aluna que se recusava olhar para ilustrações que tinham o personagem do lobo mau. Percebendo isto iniciou uma roda de conversa com o livro Chapéuzinho Amarelo onde o autor, Chico Buarque, aborda o tema com jogos de palavras. Segundo a educadora Daniela, o medo faz parte da vida. A forma como lidamos com ele é que muda o contexto. “Na infância, esse sentimento é uma resposta emocional frente a uma situação inédita e a capacidade de dominá-la”, afirma a coordenadora pedagógica Sílvia Faveri.
BABY PRIME - R. Azevedo Soares, 2409/2419 - F: 2225.1550 - Coordenadora Pedagógica Sílvia Faveri e Profª Daniela Rocha

Em um tempo que tudo muda e evolui com uma rapidez galopante, nós educadores encontramos desafios constantes em nosso dia a dia com as crianças. Elas estão mais observadoras e ávidas em adquirir experiências. Em sala de aula, temos que ser criativos para despertar o interesse e mantê-los envolvidos no processo de aprendizado, com ambientes seguros que promovam seu desenvolvimento, com materiais estimulantes e lúdicos, sem esquecermos que cada criança aprende e vê o mundo de forma diferenciada. Valores como respeito, carinho e solicitude devem ser exemplos constantes dos profissionais para que as crianças possam se espelhar e fazer deles presença frequente em suas vidas, não importando as gerações ou seus hábitos, valores, ética e amor não devem ser deixados de lado.
CANTINHO ENCANTADO - R. Euclides Pacheco, 1023 - F: 3895.4910 - Profª Samia Cecília P. Vitello

Nosso maior desafio com a nova geração é formar cidadãos do bem que contribuam para um mundo melhor. A Profa. Debora R. de Queiroz desenvolveu o Projeto Valores que trabalhou a tolerância, o respeito e a solidariedade, através da criação da mascote Iara que é uma índia portadora de necessidades especiais que utiliza a muleta para se locomover e necessita da ajuda de seus companheiros. Por isso, cada aluno levou a Indiazinha para casa para ser cuidada. Além disso, trabalhamos com o desenvolvimento de posturas, valores emocionais, cuidados, e responsabilidade para com o atendimento com a Iara, evitando rasgá-la, sujá-la ou esquecê-la. Estamos ensinando também às crianças a terem responsabilidade com materiais de uso coletivo, não fazendo ao outro o que não gostariam que fizessem com elas.
COLÉGIO CAMARGO MALTA - R. Bom Sucesso, 685 - F: 3791.0152 - Profª Debora R. de Queiroz

Entrar em sala de aula nos revela um novo desafio a cada ano. Eu que trabalho diretamente com os jovens percebo a mudança dos alunos, o que faz com que nós também mudemos nosso modo de nos relacionar com eles. O adolescente de hoje não é o mesmo de 10 anos atrás, provavelmente já diferente do último ano. O entendimento do momento desse jovem é muito importante para nos conectarmos com sua realidade e podermos executar o nosso papel de maneira produtiva. Pensar em qualidade na educação nos remete ao sinônimo de excelência que é o objetivo de nossa escola. O cenário atual é marcado pela tecnologia, ciência e informática, fatores que interferem na educação ativa. A escola deve ser um espaço de criação para seus alunos, um ambiente onde a aprendizagem concretize-se para uma sociedade fortalecida e culta.
COLÉGIO SAAB - R. Jacirendi, 328/338 - F: 2941.4222 - Profª Mônica B. de Carvalho

A sala de aula é um lugar multifacetado. E com o avanço tecnológico, manter a atenção dos alunos na figura do professor, transformou-se em algo primordial. Ademais, em uma sociedade onde o conhecimento está disponível a um toque na tela do celular, o principal desafio em sala de aula é o de explorar o potencial e desenvolver o talento de cada aluno. Assim, o professor deve dar sentido ao que ensina, trazendo a aula para a realidade do aluno. Inserir músicas; imagens; palavras-chave; vídeos ou filmes no processo modifica a atmosfera da turma, pois a cultura de uma sala de aula pode ser transformada quando professor e alunos estabelecem conexões afetivas além das cognitivas. Somado a isso, é importante lembrar que dar liberdade para o aluno falar livremente é um dos caminhos que possibilitam a educação para a vida.
COLÉGIO OBJETIVO PENHA - Av. Penha de França, 3/13 - F: 2941.2244 - Profª Dielen Abigail V. R. Kaupe

Os alunos da geração atual gostam de desafios e adoram participar, opinar e ser protagonistas de suas atividades cotidianas nos diversos grupos sociais de que fazem parte. Na escola não é diferente. A maior parte dos alunos chega à escola com inúmeros conhecimentos prévios e com acesso a informações, por isso utilizamos, no Colégio Soter, um modelo disruptivo de educação que torna o aluno protagonista de seu aprendizado. Com o uso de Metodologias Ativas de Ensino, consideramos os conhecimentos que eles já possuem e os desafiamos a pensar de forma cada vez mais complexa. Os desafios acontecem em diversos ambientes da escola e com apoio de tecnologias e jogos que estão muito mais próximos de sua realidade motivando-os a querer aprender e, principalmente, construir seu próprio conhecimento.
COLÉGIO SOTER E ESCOLA BAMBINOS - R. Mafalda, 481 / Av. Montemagno, 3080 - F: 2916.0584 - Profª Debora Pretti D´Onorio

Famílias de vários tipos, imediatismo e, principalmente, o entendimento da humanidade que existe dentro de cada um, são os principais desafios encontrados em turmas heterogêneas na educação contemporânea. Educadores e instituições podem lidar com esses desafios de diferentes formas, se aceitarem que, hoje, estamos ligados à educação e não apenas à escolarização. Adequar-se à evolução e não se ancorar em uma forma de aprender, uma vez que todos estão em constante aprendizado. Nós, da Santa Marina, procuramos desenvolver o altruísmo, compreendendo que seres humanos têm tendências generosas e vaidosas. Aprender o que fazer com esses sentimentos, formando-os com inteligência para a vida. Alunos que se organizam de forma coletiva, exercendo o protagonismo de seu conhecimento, tendo sempre seu professor mediando situações.
ESCOLA SANTA MARINA - Av. Guilherme Giorgi, 430 - F: 2227.3911 - Profª Talita F. Silveira

Um dos maiores desafios na educação hoje é manter o aluno motivado e interessado. Para o professor, fica a tarefa de utilizar a tecnologia a seu favor e transformá-la em aliada no processo ensino-aprendizagem. Despertar o desejo de aprender é transformar o ambiente escolar em um local acolhedor que estimula o aluno de forma a integrar disciplinas e contextualizar o que está aprendendo aos aspectos da vida prática. Utilizar recursos extra-classe como o entorno ou espaço físico do colégio, para vivenciar situações que foram aprendidas na teoria, ajuda no desafio de tornar a escola mais atrativa. A relação de ensino-aprendizagem está em constante evolução e exige que o corpo docente e o colégio estejam atentos a essas modificações e preparados para se atualizar e melhorar suas práticas pedagógicas.
COLÉGIO DRUMMOND - www.drummond.com.br - Profª Angela Cristina de Almeida

Aos desafios enfrentados pela escola no Brasil hoje, inerentes a uma geração mergulhada na avalanche de informações do mundo digital, há ainda outro, maior. Esse desafio dramático foi expresso no editorial do renomado jornal francês Le Monde (8/9/18): “Brésil : le naufrage d’une nation”, que descreve perturbado o Brasil que chega à Europa nos dias atuais: um país sem rumo, de instituições decadentes, políticos corruptos e juízes preocupados mais com seus altos ganhos do que com a justiça. Essa imagem que lá chega não é fração do que atinge violentamente nossos estudantes, privados de referências, numa idade em que elas são decisivas na formação do cidadão. O principal desafio da escola hoje é, assim, ético e moral: se apresentar como referência clara e oferecer parâmetros de adequado e inadequado – e a diferença clara entre justiça e seus muitos contrários.
COLÉGIO LA FONTAINE - R. Azevedo Soares, 318 - F: 2671.5909 - Profº Jeosofá Fernandez Gonçalves
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