Edição 320 | 2018

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27/08/2018 17:22 - Atualizado em 27/08/2018 17:23

Mitos que rondam o vinho

Conheça as 10 maiores mentiras já contadas sobre a bebida

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A quantidade de maravilhas do universo do vinho são quase equivalentes aos mitos espalhados por aí. Com o passar do tempo, foram criados muitos rituais que podem transformar o feliz momento de aproveitar uma taça de vinho num acumulado de regras que, na maior parte dos casos, são dispensáveis ou simplesmente desnecessárias. Isso faz com que muitas pessoas se afastem da bebida por medo de passar vergonha ou por achá-la complicada demais.

Para desmistificar alguns tabus e te ajudar a compreender quais são os mitos e as verdades sobre o universo da bebida, a sommelière da Evino, Natália Cacioli, identificou alguns tabus conhecidos pela população. Confira:

1. Quanto mais velho o vinho, melhor
A maior parte da produção de vinho é pensada para atender à demanda de consumo imediato. São vinhos de safras mais recentes (de até cinco anos), frutados, macios, fáceis de beber. Uma parcela bem pequena de vinhos é feita para envelhecer. São vinhos bem caros e que precisam de um longo tempo de amadurecimento para atingir seu ápice.

2. Se a garrafa é pesada, o vinho é bom
Vinhos de guarda usam garrafas espessas para reduzir a incidência de luz (sim isso influencia o processo de envelhecimento) e para ter uma garrafa mais resistente, já que o vinho ficará guardado por muito tempo. Para vinhos de consumo imediato a espessura da garrafa não faz diferença. O produtor pode escolher uma garrafa mais simples para reduzir o custo final do produto.

3. O fundo da garrafa côncavo indica boa qualidade
“Já perguntei para diversos produtores de Itália, Chile e Argentina o que isso significa e todos eles me disseram: Nada”, garante a sommelière. É apenas uma característica da linha de produção, mas seguramente não é para colocar o dedo. Ao segurar a garrafa por ali, ela pode escapar da mão e fazer um estrago. Segure com firmeza, pelo corpo da garrafa. Isso não é suficiente para fazer o vinho esquentar.

4. Se o vinho é fechado com rosca ou rolha sintética ele não presta
Cortiça é um material natural, retirado de uma árvore chamada Sobreiro, presente principalmente em Portugal e que precisa de 25 anos para estar pronta para a primeira extração da cortiça. Ou seja, é um recurso caro e finito. Mas e o que isso tem a ver com o vinho? A cortiça é um tipo de material que permite uma pequena troca de oxigênio entre o líquido na garrafa e o ambiente externo, processo importante para vinhos de guarda. Se você comprou o vinho e vai tomá-lo hoje ou semana que vem, a cortiça não faz diferença. Rolhas sintéticas e tampas de rosca são mais sustentáveis e baratas.

5. Vinho meio-seco é doce e não é bom
A nomenclatura não ajuda - mas a verdade é que os vinhos etiquetados como meio-seco têm, na maioria dos casos, a mesma percepção em boca de um vinho seco. Mas por que isso acontece? Por uma questão de legislação. Quem define se o vinho será etiquetado como “seco” ou “meio-seco” no Brasil é o Ministério da Agricultura. Aqui, a legislação leva em conta apenas a quantidade de açúcar residual, enquanto que, na Europa, é feita uma relação entre açúcar e acidez. Isso faz com que muitos vinhos considerados “secos” na Europa sejam classificados como “meio-secos” no Brasil.

6. Vinho tinto é mais complexo que vinho branco
São estilos diferentes mas cada um com suas maravilhas e momentos. A principal diferença do vinho tinto para o vinho branco é que o primeiro tem propriedades que vêm da casca da uva: cor e tanino - aquela sensação de adstringência que “seca” a boca. Tanino é um conservante natural e, por isso, é um fator importante para a longevidade do vinho. Os brancos se destacam pela refrescância (tecnicamente chamada de acidez) e, apesar de serem vinhos majoritariamente feitos para consumo rápido, alguns têm grande potencial de guarda.

7. Vinho tinto é com carne vermelha e vinho branco é com peixe
Para harmonização existem orientações básicas, mas não regras. Vinhos tintos têm taninos (aquela sensação de adstringência) e a gordura ajuda a disfarçar essa sensação, daí a harmonização com carnes vermelhas. Já vinhos brancos e rosés costumam ser mais leves, por isso normalmente são indicados para carnes brancas. Agora imagine em pleno verão brasileiro, um churrasco à beira da piscina e, em vez de um Malbec encorpadão, que tal um espumante geladinho? Resumindo: harmonização não é ciência exata e você pode beber o que tiver vontade.

8. No restaurante o garçom coloca um pouco de vinho na taça para você analisá-lo e decidir se gostou
Na verdade, a proposta desse ritual é verificar se o vinho tem algum defeito. A degustação é feita rapidamente e não há necessidade (na verdade pega mal) de ficar cinco minutos analisando o vinho e dissertando sobre aromas e sabores. Se você não se sente confortável para fazer essa avaliação, peça ao sommelière do restaurante.

9. Vinho rosé é feito da mistura de branco com tinto
Mito. Rosé, na verdade, é um vinho produzido com uvas tintas. Durante a vinificação, o mosto das uvas (ou seja, o suco antes de ser fermentado) fica em contato com as cascas por um breve período para extrair apenas um pouco de cor e aromas.
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