Edição 318 | 2018

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21/06/2018 15:32

A escola ideal

Especialistas explicam como escolher a melhor escola para seu filho e ainda orientam sobre a busca por uma instituição que forme cidadãos conscientes para os problemas do mundo e a diversidade entre as pessoas

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Achegada do meio do ano e das férias escolares pode significar a entrada de um filho na escola, ou mesmo a mudança de instituição. Enquanto alguns não se adaptaram à escola no primeiro semestre, há quem esteja mudando de bairro, enxugando o orçamento ou não esteja satisfeito com o desempenho do filho até o momento. Seja qual for o motivo, é preciso cautela no momento de escolher a primeira ou outra escola para matriculá-lo.
“Antes de tudo, o responsável precisa visitar a instituição, conhecer o ambiente, os espaços onde o filho passará um tempo diariamente. Outra questão fundamental e decisiva é saber qual a metodologia utilizada e quais são os valores, para descobrir se a cultura da escola condiz com a cultura familiar. A abordagem pedagógica tem muito a ver com o que a família acredita. Cada um dos alunos tem seus valores, culturas e crenças e, de certa forma, eles buscam na instituição escolar uma abordagem que esteja de acordo com suas expectativas. Os responsáveis precisam fazer perguntas como: qual a intenção dessa abordagem? Por que seguem essa linha? Quais são as vantagens dessa abordagem para o desenvolvimento do meu filho?”, orienta a psicopedagoga Caroline Costa e Silva.
Para a psicopedagoga, Mestre em Educação Infantil e Especialista em Gestão Escolar, Ana Regina Caminha Braga, o primeiro passo para essa decisão está no aspecto familiar. Os pais/responsáveis precisam levar em consideração o que a família espera daquela instituição e os elementos que consideram fundamentais para a formação de seu filho.
“Cada família tem suas prioridades e o seu estilo de vida. É indicado que elas listem esses tópicos para visualizar com maior facilidade o que deseja para o futuro da criança. Não existe uma fórmula mágica para essa escolha, o importante é que os pais/responsáveis visitem os ambientes, conheçam a estrutura e a equipe pedagógica até decidir a que melhor atende seu perfil e a lista feita anteriormente. Ou seja, a família precisa que a criança faça parte de uma escola em que eles se sintam seguros em deixar seus filhos”, explica a especialista.
Segundo Ana Regina, uma análise significativa para diminuir as chances de erros na escolha é levando a criança junto para ver como ela reage e se ela se ambienta ao lugar. Além disso, a Psicopedagoga e Mestre em Educação sugere que os responsáveis analisem não só a metodologia de ensino da instituição, mas também os projetos extraclasse, pois uma boa escola não se preocupa apenas com o conteúdo sistemático, mas com o desenvolvimento do aluno como um todo. “É importante que os pais escolham uma instituição que vá além das matérias propostas, que ensine valores éticos e morais a criança, estimulando seu desenvolvimento como cidadã”, comenta.
Para completar, a psicopedagoga alerta que após a escolha feita, é importante que os responsáveis continuem acompanhando de perto a evolução da criança naquele ambiente, perguntando como tem ido à escola, se ela tem gostado das atividades, dos colegas, evitando que passe por determinadas situações. “Os pais precisam se fazer presentes, perguntando como foi o dia e durante a aula, o que ela aprendeu, o que mais gostou e o que não gostou. Isso faz com que os pais e responsáveis tenham uma base de como aquela criança está se adaptando ao novo ambiente escolar”, recomenda Ana Regina.

Habilidades, regras e mais...
Dentro da questão da metodologia, é importante conhecer os conteúdos trabalhados, ou seja, a parte pedagógica, qual será a rotina da criança na escola, se o calendário contempla aulas de música, artes, esportes ou línguas, por exemplo. “Essas são habilidades que os alunos precisam desenvolver de acordo com cada faixa etária. Como vivemos na era digital, também pode ser uma boa oportunidade para perguntar sobre os equipamentos disponíveis”, recomenda Caroline.
Outra prioridade é analisar a segurança da instituição, seu espaço físico, os funcionários disponíveis para cada função, quais os tipos de brinquedos disponíveis, jogos, mesas, cadeiras, que devem estar em boas condições e de acordo com a faixa etária atendida pela escola.
Também existem regras em todas as instituições e, por isso, é sempre importante saber quais são as normas, tipo de uniforme, dia do brinquedo, dia da lancheira, alimentação, por exemplo. E, por fim, os responsáveis devem consultar os valores das matrículas, mensalidades e se a alimentação está inclusa ou não.

O temível bullying
Nesta época do ano, também são comuns os casos de mudança de escola por causa do bullying sofrido pela criança ou jovem. E muitos pais se preocupam em como ajudar o filho a frequentar outra escola após terem sofrido bullying na anterior. A adaptação a um novo ambiente, por si só, já costuma ser um desafio para as crianças, mas quando se trata de uma pessoa que já foi vítima de algum processo ligado à agressão física, moral ou psicológica, o processo é ainda mais delicado e, por isso, merece a atenção e acompanhamento dos pais.
De acordo com a fundadora da Associação pela Saúde Emocional de Crianças, Tania Paris, se essa mudança ocorreu por causa de bullying, provavelmente o menor estará muito sensível para iniciar novos relacionamentos. “Para ajudá-lo a enfrentar esta fase, é necessário conversar com pessoas-chaves da escola, pedindo seu apoio. No mínimo o coordenador pedagógico e o professor devem ser informados do histórico da criança, em particular de problemas e/ou traumas vivenciados por ela, para que possam ampará-la e compreender eventuais reações de medo e/ou isolamento. Em casa, os pais podem ajudar a reforçar habilidades emocionais e, principalmente, as sociais, como, por exemplo, como apresentar-se a novas crianças para fazer novos amigos”, diz.
Outro ponto é conhecer o cotidiano da escola: verificar se há programas que estimulem o desenvolvimento das competências emocionais das crianças e adolescentes, além de como os educadores tratam o bullying e os demais assuntos relacionados aos comportamentos autodestrutivos. Conversar com os pais que já passaram e superaram esta experiência também é de extrema importância.
“Sanar dúvidas, abastecer-se de informações e manter contato com os orientadores são estratégias positivas para apoiar seu filho. Assim, é possível iniciar uma nova história e fortalecer a saúde mental. Pode ser uma oportunidade da criança ter um aumento de autoestima, ao perceber que superou aquela fase, sentindo-se capaz de enfrentar obstáculos”, comenta.

Inclusão
Em época de “matrículas abertas” vale refletir sobre as escolhas de onde matricular os filhos e como fazer desse processo algo construtivo e que possa ajudar na criação de um ser humano mais justo e cidadão. Optar por escolas inclusivas mesmo que seu filho não tenha nenhuma deficiência é extremamente recomendável para o adulto que ele vai se tornar.
Para a coordenadora geral da Fundação Síndrome de Down, Carolina Freire de Carvalho, a convivência com as diferenças faz a pessoa se tornar um adulto mais flexível. “Uma pessoa que conviveu ao longo de sua vida cotidiana com as diferenças, tende a ser um adulto com pensamento mais flexível, tem acesso a modelos sociais mais amplos, e, portanto, estará melhor preparado para viver numa sociedade diversificada”, ressalta.
Recentemente a entidade realizou um levantamento junto aos seus usuários em idade escolar (entre seis meses e 18 anos) que revelou que 62% estão matriculados em escolas públicas enquanto 38% frequentam escolas privadas.
O número não surpreende quem convive com esta realidade: muitas escolas privadas relutam em receber alunos com alguma deficiência, principalmente a intelectual. Isso acontece, principalmente, porque todas as escolas devem, desde 2008, seguir a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, mas as escolas públicas costumam estar mais adequadas a esta Política.
As instituições particulares que fecham as portas não sabem, no entanto, os benefícios que aceitar crianças com deficiência podem trazer para os demais alunos da escola e para a própria instituição. “A escola inclusiva proporciona uma convivência e desenvolvimento humanos em um espaço de diferenças, que considera cada um em sua singularidade no processo de ensino-aprendizagem e de convívio social, desenvolvendo respeito mútuo e uma postura inclusiva perante a vida”, explica Carolina.
De acordo com o pedagogo e coordenador de processos da Fundação, Daniel Nascimento, o principal relato das mães de pessoas com deficiência intelectual ainda é negar a matrícula. “Outra reclamação que ouvimos sistematicamente diz respeito à qualidade da Educação oferecida. Muitos pais, corretamente, questionam os métodos e apoios oferecidos por suas escolas, exigindo que sigam exatamente a legislação vigente. Querem, com isso, que seus filhos de fato sejam incluídos em todos os processos relativos à vida escolar sem serem excluídos de algumas disciplinas ou conteúdos”, relata.
Cabe aos pais e responsáveis, orientarem seus filhos e procurarem escolas que visem a construção de um futuro mais inclusivo, com cidadãos mais tolerantes, capazes de criar uma sociedade com menos preconceito e que possa ajudar na formação de cada ser humano, de todos eles.
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