Edição 314 | 2018

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09/02/2018 10:24

Um melhor amigo para cada família

Seja com ou sem filhos, solteiros e casados, jovens ou idosos, cerca de 70% das famílias brasileiras têm um animal de estimação

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A modernidade trouxe novas formações familiares. Há quem assumidamente deseje ficar solteiro, casais homoafetivos, tradicionais casais com dois filhos, há quem ainda more com os pais mesmo podendo ‘bancar’ sua própria casa e também aqueles que levaram os pais e avós pra dentro de seus lares. Mesmo com tantas novas configurações familiares, a maioria delas costuma incluir um animalzinho de estimação em sua composição. Segundo estimativa da Abinpet – Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, o Brasil ocupa o quarto lugar do mundo em população total de animais domésticos, chegando a 132,4 milhões dos 1,56 bilhão registrados ao redor do mundo.

O faturamento do setor também registra números expressivos e, mesmo com a recessão econômica, ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de faturamento com a venda de produtos para os pets. Dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, nos mostram ainda que o número de cães é maior que o número de crianças nas famílias brasileiras e que essa relação deverá ficar ainda maior nos próximos anos, com a tendência da população de optar por ter menos ou nenhum filho.
De acordo com os dados da Nielsen, em pesquisa realizada em 2016, entre os mais de 48 milhões de lares brasileiros, 46% contam com a presença de pelo menos um cão. Além disso, esses animais podem ser considerados filhos dos seus tutores, pois 64% dos lares com bichos de estimação não têm crianças até 11 anos.

Adoção responsável
Sempre é importante ressaltar que incluir um animal de estimação em casa significa muita responsabilidade e mudança na rotina, ainda mais se a família tiver crianças pequenas. Contudo, essa relação pode ser extremamente benéfica, inclusive para a saúde dos pequenos.

A pediatra Maria Júlia Carvalho explica que alergias a animais de estimação ocorrem em uma porcentagem pequena da população, apenas 10%, sendo as mais comuns Rinite, Asma e erupções cutâneas. Além disso, o organismo de crianças que têm contato com animais desde pequenas, passará a tolerar mais as reações alérgicas. “Segundo um estudo feito na Universidade de Munique, envolvendo milhares de crianças que foram monitoradas desde o nascimento até os seis anos com coletas seriadas de sangue, mostrou que aquelas que conviviam com cachorro dentro de casa apresentavam menor risco de desenvolver sensibilidade a pelos, pólen, poeira e outros agentes alergênicos inaláveis do que crianças sem cães. Outro grande estudo concluiu que crianças expostas à presença de um cachorro durante o primeiro ano de vida apresentaram uma queda de 13% no risco de desenvolver asma durante a infância e que, quando o contato era aumentado para outros animais (como numa fazenda por exemplo), a queda poderia ser de até 50%”, detalha a especialista.

Além disso, pesquisadores do departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, mostraram que a companhia de um bicho reduz as chances de desenvolver resfriados e outras doenças nos pequenos pois há um fortalecimento do sistema imunológico secundário ao aumento dos níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana. “Além da melhora do sistema imunológico, um benefício inquestionável é o companheirismo e os diversos estímulos que o animal provoca na criança – o bebê exercita a coordenação motora fina ao ter de controlar sua força para fazer um carinho; o treino da marcha ao engatinhar ou tentar andar atrás do animal; olfato, visão e audição são incitados pelos sons, cheiros e movimentos dos bichinhos. Juntos, eles também aprenderão a respeitar o espaço um do outro”, garante a pediatra.

O contato com animais ativa áreas do cérebro relacionadas com as emoções. Não é por outro motivo que terapeutas lançaram mão da terapia com animais para tratar crianças hospitalizadas ou com deficiências mentais. “É um excelente treino para a afetividade”, diz Maria Julia.

Ainda segundo a especialista, a melhor idade para ter animais de estimação não é concreta, porém, é recomendado que os pais esperem até a criança desenvolver uma boa maturidade motora e grau de entendimento para compreender a importância de cuidar e amar o bichinho que fará parte da família. “Geralmente, crianças a partir de quatro anos conseguem ter um bom entendimento a respeito dos animais de estimação e respeitar as regras”, recomenda. 
E para quem já tem um animal de estimação e acabou de aumentar a família ou tem um bebê que ainda está por vir, é preciso tomar alguns cuidados. A médica ressalta que o animal pode e deve ser apresentado ao novo membro da família, mas esse contato deve ser sempre supervisionado por um adulto. Outro lembrete importante é sempre atualizar as vacinas do animal.

Medicina Preventiva
Com o aumento do número da população de animais, a Medicina Veterinária tem se especializado a cada ano. Além de estabelecimentos exclusivos como padarias, centros estéticos, cemitérios, confecções tal dono tal pet e canal de televisão exclusivo, as especialidades médicas ganharam destaque entre os profissionais do setor.

Especialidades como Acupuntura, Oncologia, Odontologia, Homeopatia, laboratórios para exames radiológicos e principalmente Medicina Preventiva, têm atuado na tentativa de se antecipar às doenças, evitando-as e possibilitando que o animal viva mais e melhor ao lado de sua família.

E, por conviverem em ambientes domésticos e urbanos, muito próximos aos tutores, os pets também desenvolvem doenças que são plenamente conhecidas entre os humanos, tais como: estresse, Depressão, ansiedade e Hiperatividade. Diversos são os fatores que podem desencadear problemas psicológicos, independente da raça do animal. Alguns deles estão atrelados a falta de atividade física e à ausência do tutor por longos períodos, por isso, muitas famílias têm optado por contratar o serviço das creches para animais, garantindo que eles se exercitem, sociabilizem com outros da mesma espécie, sejam adestrados e voltem para casa felizes e satisfeitos depois de um dia de brincadeiras e ensinamentos.

Pet friendly
Levar os animais em viagens, passeios e até cafeterias, por exemplo, também tem se tornado cada vez mais comum. Por isso, ter um espaço pet friendly está sendo o grande diferencial de novos investidores que já perceberam que seus clientes querem estar sempre acompanhados de seus melhor amigos. Contudo, os tutores devem se atentar que nesses espaços destinados a pets existem regras para a boa convivência de todos e com isso os donos devem tomar algumas providências antes de levar seus animais a estes locais, como castrá-los, manter a vacinação em dia, fazer uso da coleira e da guia e principalmente se informar e respeitar as normas de cada estabelecimento.

As viagens com animais também precisam de preparo. Pensando nisso, a veterinária e diretora operacional do aplicativo Dot Pet, Lara Torrezan, preparou seis dicas sobre os principais cuidados que o tutor deve tomar para garantir que o passeio com seu pet ocorra de forma segura, confortável e tranquila.

1- Canse seu pet antes da viagem: brinque bastante com o animal um dia antes e, se possível, no mesmo dia da viagem. “Dessa forma ele vai estar mais cansado e pode ser até que faça a viagem dormindo”, explica Torrezan.

2 - Cinto de segurança ou caixa de transporte: além da segurança, há o aspecto legal: de acordo com o artigo 235 do Código Brasileiro de Trânsito, a condução de animais nas partes externas do veículo é considerada infração grave. Já o artigo 252 prevê que o motorista flagrado com o animal no colo ou dirigindo com animais entre braços ou pernas comete infração média.
3 - Acostume seu Pet ao ambiente da viagem: “A dica é tornar essas situações familiares, acostumá-los. Associe esses momentos a experiências positivas. Deixe a caixa de transporte sempre aberta e disponível para uma melhor adaptação, coloque petiscos, brinquedos para estimular o uso no dia-dia. Faça isso todo dia, mesmo que a viagem vá demorar para acontecer. Quanto mais acostumado ele ficar menor será o estresse na viagem”, explica Lara.

4 - Faça paradas periódicas: Se a sua viagem for longa, o ideal é sempre fazer aquele pit-stop básico para o xixi, cocô, hidratação e relaxamento do animal. “É importante perceber o comportamento do seu pet durante a viagem. Muitos deles estão acostumados a fazer suas necessidades só em um determinado local, então não vão fazer dentro do carro, mas começam a demonstrar desconforto”, esclarece a veterinária. “Em todo caso, é uma boa ideia forrar os bancos com tapete higiênico para o caso de alguma eventualidade”, diz.
5 - Documentos necessários para viagens nacionais ou internacionais:
     • Atestado de Saúde ou Certificado Sanitário, emitido 10 dias antes da viagem por um médico veterinário registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária da Unidade Federativa e cadastrado no Ministério da Agricultura.  
     • Certificado de Vacinação Antirrábica, assim como o exame de sorologia de raiva.
     • Em caso de viagens internacionais, são necessários o Certificado Veterinário Internacional e o Certificado de Zoonose Internacional obrigatório (CZI), que garante que o animal está livre de doenças. Dependendo do destino, também pode ser necessário o Passaporte para cães e gatos. 
     • Leve sempre com você a carteira de vacinação do seu pet, assinada por um médico veterinário.

6 - Conheça as regras: No caso do ônibus, de acordo com art. 70 do Decreto nº2521/1998 da ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres, o transporte é permitido, respeitados os locais e limites de peso de bagagem. O animal precisa estar acomodado em caixa apropriada de modo que consiga ficar em pé e se mover. “Ressalta-se ainda que cada empresa possui regras específicas e pode recusar o transporte se entender que há risco à segurança e ao o conforto dos demais passageiros ou se não dispor das condições adequadas para o transporte do animal”, detalha a diretora operacional da Dot Pet.
Já no caso de viagens de avião, de acordo com a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, o transporte de animais domésticos (cães e gatos) na cabine de passageiros fica a critério da empresa aérea. Vale lembrar que algumas companhias não transportam cães de determinadas raças.
É preciso ainda apresentar atestado de sanidade do animal. Além disso, será cobrado um valor adicional definido pela companhia aérea. Em caso de vôos internacionais: é imprescindível obter informações sobre as regras do país de destino para não correr o risco de não poder desembarcar com o seu pet e ter muitas dores de cabeça.
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