Edição 308 | 2017

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03/08/2017 10:31 - Atualizado em 03/08/2017 11:41

Pais pra toda obra

A figura sisuda e distante dos patriarcas de antigamente deu lugar a homens mais comunicativos, parceiros e amigos dos filhos, alterando a forma como a família e a sociedade definem o conceito da palavra ‘pai’

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São muitas as histórias sobre a origem das homenagens aos pais. A mais antiga delas vem da Babilônia, há quatro mil anos, quando um jovem chamado Elmesu teria moldado um cartão em argila, desejando saúde, sorte e uma longa vida ao seu pai, o rei Nabucodonosor. Nos Estados Unidos, a figura de William Jackson Smart, um ex-combatente da Guerra Civil Americana – que perdeu a esposa e teve de criar os seis filhos pequenos – remonta às comemorações que, no país, são realizadas em junho. Na religiosa nação portuguesa, o Dia dos Pais é comemorado em 19 de março, data em que a Igreja celebra o dia de São José, pai de Jesus Cristo e esposo da Virgem Maria. “No Brasil, a data começou a ser comemorada em 1953 em razão de uma campanha de entidades de imprensa que promoveram um concurso para homenagear três tipos de pais: o mais jovem (16 anos), o mais velho (98 anos) e aquele com o maior número de filhos (31!). Passou então a ser comemorado o Dia dos Pais em 16 de agosto, dia de São Joaquim, pai da Virgem Maria. Posteriormente a data mudou para o segundo domingo de agosto”, conta o presidente da Academia Paulista de História, Luiz Gonzaga Bertelli.

Histórias à parte, o Dia dos Pais tem ganhado cada vez mais destaque entre as famílias modernas e diversos estudos que apontam a influência da figura paterna no crescimento das crianças. “A conduta de um pai é o maior legado que deixa para os filhos. Içami Tiba, grande médico e educador, dizia que a maioria dos problemas psíquicos dos adolescentes podia ser atribuída ao imaturo comportamento de seus pais”, destaca Bertelli. “Dentro da família, a figura paterna representa segurança e controle dos limites, tendo uma valiosa chance de transmitir bons valores por meio da educação. No campo profissional, sãoinúmeros os casos de jovens que buscam semelhanças com os pais, seguindo carreiras idênticas. Nada melhor do que ter, no próprio seio familiar, alguém que possa orientar e refletir sobre os problemas e soluções para que os filhos sigam pelos caminhos corretos no mar caótico que se transformou a estrada da vida” completa.

Século XXI
O papel exercido pelos pais tem mudado ao longo dos anos e, mesmo marcado por incertezas em relação a caminhos a seguir, o conceito de família passou por transformações e agora carrega mais transparência e compartilhamento entre pais e filhos. “A maioria das decisões é tomada em grupo. As escolhas são mais respeitadas”, garante o gerente geral da editora IRH Press do Brasil, dedicada a lançar em português os livros do mestre japonês Ryuho Okawa, Kie Kume.

O perfil dos filhos também mudou. Eles são mais tecnológicos, lidam com diversos temas simultaneamente e têm voz ativa. E seus pais? Para manter a conexão com as novas gerações, cabe a eles estarem atentos aos assuntos e atividades de interesse dos filhos, ler e ouvir o que eles buscam, conhecer seus amigos, mas também mostrar que estão abertos a aprender com os jovens. 

“É claro que os pais sabem muito e têm mais a ensinar sobre valores que são atemporais como educação, gentileza, ética, respeito e empatia”, explica o criador da Rede VIAe, método educacional cuja proposta é estimular competências e habilidades demandadas para o século XXI, como tolerância, cooperação e resiliência, Marco Gregori. “A novidade é que os pais também devem mostrar capacidade de aprender com os filhos. Hoje, a relação é mais intensa e ocorre em mão dupla, diferentemente de décadas atrás, quando o aprendizado cabia quase que unicamente aos filhos”, lembra.

Para os pais, a principal vantagem de estar aberto a este aprendizado é resgatar a criatividade, a paixão e a sinceridade típicas de crianças e adolescentes. “Crianças e adolescentes são enérgicos, interessados e sinceros com seus sentimentos. Eles têm uma paixão contagiante. Aprender com eles permite aos pais ter novamente estes elementos em suas vidas”, garante Gregori.

Se o aprendizado hoje ocorre de pai para filho e vice-versa, ainda cabe aos pais ser o orientador. “Não é porque os jovens têm capacidade de ensinar que a orientação dos pais tornou-se supérflua. O pai pode e deve ajudar os filhos a escolher os melhores caminhos em diferentes momentos da vida, agregando experiência, injetando confiança e dando apoio. Colocar-se como alguém que pode aprender com o filho não significa abrir mão do papel de orientador, embora haja muita confusão sobre isso”, enfatiza Gregori. “O pai reúne experiências que os filhos não têm. Ele percebe lacunas da criança de um prisma diferente. Ele pode e deve ajudar o filho a desenvolver suas habilidades e a se preparar para um mundo que demanda mais colaboração e capacidade de empreender, por exemplo”, sugere.

Do mesmo modo que o papel de orientação segue, a importância do bom exemplo paterno também. “A conduta dos pais continua sendo algo que os filhos observam e com a qual aprendem de maneira muito mais intensa. Não basta apenas o pai explicar conceitos, falar em ética, destacar sua importância, se ele não a pratica. Os filhos são observadores. Querem ver coerência entre o que o pai prega na teoria e o que ele faz na prática. Por isso, é fundamental não apenas discursar, mas praticar valores como convivência, respeito ao próximo, capacidade de partilhar e de falar a verdade”, orienta Gregori.

Um novo pai 
O amor e a dedicação de um verdadeiro pai com certeza são os mesmos de antigamente, de seus pais e avós. Mas mudaram as condutas, as atitudes e reações do pai perante a família e a sociedade, consolidando tendências surgidas a partir dos anos 70. O homem que hoje está na faixa dos 50 ou 60 anos deve se lembrar bem que a figura do pai, geralmente, era a de uma pessoa sisuda, mais silenciosa e reflexiva, e muito mais preocupada com o sustento da família do que com a convivência direta com os filhos. Hoje, os pais são mais ativos e participativos, reflexo de relacionamentos mais transparentes e respeitosos entre marido e mulher.

As conquistas das últimas décadas conseguiram transformar positivamente a vida familiar, permitindo mais solidez ao exercício da paternidade. Os jovens casais de hoje se moldam juntos, decidem, constroem, aprendem e educam juntos. Juntos, também, os casais enfrentam qualquer tipo de dificuldade para garantir saúde e educação de boa qualidade para seus filhos.

“Mesmo com os grandes desafios socioeconômicos de nossa época, temos que comemorar o Dia dos Pais com muito entusiasmo e amor, torcendo para que tenham a capacidade e a oportunidade de participar cada vez mais da vida dos filhos e de dar-lhes uma boa educação. Essa participação é fundamental na formação de seu caráter. Que mais papais sejam os grandes amigos dos filhos – brincando, contando histórias e fazendo-os sonhar quando pequenos; ouvindo, aconselhando e respeitando suas escolhas e opções quando crescidos”, finaliza Kume.
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