Edição 267 | 2014

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12/02/2014 10:49

Papa Cartões

Programa RC - Reciclagem de Cartões mostra que é possível reciclar os usados para a fabricação de novos produtos


Eles fazem cada vez mais parte de nosso dia a dia, mas descartá-los corretamente ainda é um problema. São cartões de débito, crédito, seguro-saúde, fidelidade, cartões-presentes, credenciais, cartões telefônicos, bilhete único e muitos outros que formam pilhas e pilhas após o fim de sua validade. O Instituto do PVC, entidade que representa a cadeia produtiva do produto, desde os fabricantes de matéria-prima até recicladores, estabeleceu parceria com a R. S. de Paula, empresa fabricante de cartões, para coletar e reciclar esses itens.

Como funciona
A R. S. de Paula desenvolveu o “Papa Cartões”, uma estação coletora na qual os cartões são inutilizados e preparados para serem reciclados.

Segundo o diretor da empresa, Renato Soares de Paula, hoje é possível reciclar 100% dos cartões, mesmo os que contêm chip. “A partir dos resíduos, são fabricados novos cartões, além de produtos decorativos como porta-copos, jogos americanos, relógios de mesa e parede, placas sinalizadoras, pisos e móveis”, explica. E completa: “o principal objetivo é mostrar que é possível reciclar o PVC diversas vezes". 

Para tanto, é necessário que as pessoas destinem corretamente o material pós-consumo. Os “Papa Cartões” já são encontrados em São Paulo nas estações do Metrô Sé, Conceição, Paraíso e Consolação, no hall do Conjunto Nacional e no Shopping Continental. “O objetivo é ampliar a iniciativa para todo o Brasil” afirma ele.

Reciclagem
O PVC é um plástico 100% reciclável. No Brasil, o seu índice de reciclagem pós-consumo passou de 15,1% em 2010 para 19% em 2011, maior taxa registrada desde 2005, quando a pesquisa começou a ser realizada. O volume reciclado foi de 29.857 toneladas frente às 25.302 toneladas recicladas no ano anterior, ou seja, um aumento de 18%.  

A indústria brasileira de reciclagem de PVC empregou, em 2011, 1456 pessoas e faturou por volta de R$138 milhões. Sua capacidade instalada que era de 73.282 toneladas em 2010 teve aumento de 9,7% atingindo 80.391 toneladas. Aliado a isso, a ociosidade que era de 59,1% no ano anterior, diminuiu para 46,7% em 2011, indicando um setor com potencial de crescimento.

Mercado em ascensão
O presidente do Instituto do PVC, Miguel Bahiense, relata um maior crescimento da atividade de reciclagem, que está diretamente atrelado à intensificação de sistemas de coleta seletiva de resíduos pós-consumo. “O Brasil tem mais de 5500 municípios dos quais apenas 8% apresentam algum tipo de sistema de coleta seletiva”, afirma.  

A relação entre o descarte e a reciclagem tem mudado. Em 2010, o País descartou 167 mil toneladas e reciclou 15,1%. Já em 2011, foram descartadas 157 mil toneladas e recicladas 19%, ou seja, mesmo com a diminuição no total de resíduo pós-consumo gerado, a taxa de reciclagem aumentou, o que é extremante positivo e promissor.

O PVC, apesar de estar entre os três plásticos mais produzidos no mundo, é aquele que menos aparece no lixo urbano. Isso ocorre porque 64% dos produtos de PVC são usados em aplicações de longa duração, com vida útil superior a 15 anos, como tubos e conexões, pisos e janelas. Muitos dos produtos ultrapassam os 50 anos de uso.

Apenas 12% do PVC é destinado às aplicações de curta vida útil, ou seja, de 0 a 2 anos. O restante, 24%, são aplicados em produtos de vida útil entre 2 e 15 anos.

Tanto a taxa de reciclagem de PVC flexível, quanto a de PVC rígido aumentaram, de 18,7% em 2010 para 20,50% em 2011 e de 11,4% para 17,40%, no mesmo período respectivamente. A reciclagem de PVC flexível é maior, pois o rígido está mais associado a aplicações da construção civil, ou seja, de longa vida útil e, assim, demoram a entrar no circuito da reciclagem.

Do que é feito
O PVC é um plástico diferenciado. A principal matéria-prima é o cloro, obtido do sal marinho (57%), recurso inesgotável na natureza. Os 43% restantes são obtidos a partir do eteno, derivado do petróleo. Por ser um plástico versátil, ele está presente também em aplicações de alto valor agregado, como equipamentos para área médica (bolsas, cateteres), utensílios para indústria automotiva, aplicações para a agricultura, etc.

Instituto do PVC
www.institutodopvc.org