Edição 260 | 2013

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05/07/2013 12:16

Meu dinheirinho

Saiba quando introduzir a criança no mundo financeiro


Administrar as finanças nem sempre é uma tarefa fácil, por isso é bom começar a lidar com o dinheiro desde cedo. A educação financeira ajuda a criança a planejar os gastos e não se tornar uma pessoa consumista no futuro.

Não existe uma idade certa para introduzir os pequenos no mundo financeiro, mas por volta dos três anos, já é possível presenteá-lo com um cofrinho. Inicialmente o presente é uma brincadeira e não um pensamento econômico. O meio mais fácil de ensinar os filhos a lidar com os valores são com exemplos cotidianos, como ir ao supermercado, deixar observar o boleto e brincar com cartões e cédulas de brinquedo.

De acordo com a pedagoga empresarial, educadora financeira infantil e em desenvolvimento humano Bernadette Vilhena, a idade ideal para abordar o valor do dinheiro é a partir dos seis anos, quando entenderá o que ele representa, porque a criança já está alfabetizada e sabe distingui-lo. “O pensamento é imediato, pois ela não raciocina a longo prazo, como no caso de uma poupança”, diz.

Explicar o que o dinheiro representa pode ser um pouco complicado. “É preciso resgatar os valores humanos, que o importante é trabalhar porque enobrece o homem”, esclarece a especialista. 

Por que ele tem e eu não?
Essa pergunta deixa muitos pais em ‘saia justa’. De acordo com Bernadette, o mais indicado é explicar que cada família funciona de um jeito, vivemos em um mundo diverso, é bom trabalhar a autoestima da criança, mostrar como ela é especial, resgatar os valores da amizade e salientar que não se deve ter amigos por interesse e sim porque gosta.

As crianças passam por uma fase em que querem tudo o que veem mas é necessário colocar limites. O educador financeiro Reinaldo Domingos diz que é preciso explicar que a criança não poderá adquirir o que quiser. Para facilitar o processo de entendimento, reserve as datas especiais para dar os brinquedos. É importante para o aprendizado que o pequeno participe das decisões de compra da família, ele pode opinar sobre o que quer na festa de aniversário e se estiver fora do orçamento, os pais devem explicar a situação e sugerir outra ideia, ir para as compras e comparar os valores dos produtos. Também é bom levá-lo para comprar o presente do amiguinho, mostrar que o valor simbólico é mais importante que o dinheiro.
 

Hora da mesada
Os benefícios dessa prática são muitos: desenvolve a responsabilidade, ensina o quanto pode ser difícil fazer o dinheiro render quando não se tem controle e gastar somente com o que vale a pena. A partir dos sete anos já pode ser praticada a “semanada”, na qual os pais definem um valor para ser dado toda semana e, com ele, a criança pode comprar doces, figurinhas, revistas e brinquedos.

Quando se tornam jovens, o ideal é praticar um valor mensal. Para ajudar no controle é indicada a criação de planilhas. Muitos pais cometem o erro de relacionar a mesada com o desempenho escolar, o estudo deve ser incentivado pela importância que ele terá para a vida. “Uma criança que só estuda para garantir a mesada poderá ter um rendimento baixo se, por algum motivo, a família deixar de ter condições de dá-la, além de limitar o desenvolvimento intelectual a essas metas atingidas”, conclui Domingos.