Edição 256 | 2013

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06/03/2013 15:54

Um eterno educador

Morador da Mooca, Mario Ianeta, dedicou parte de sua vida ao Ensino Técnico na escola Getúlio Vargas


A os 90 anos, Mario Ianeta ainda se lembra com exatidão de momentos memoráveis de sua carreira em uma das instituições mais tradicionais da cidade, a Escola Estadual Getúlio Vargas, hoje conhecida como Etec Getúlio Vargas, localizada atualmente no bairro do Ipiranga.

A instituição iniciou suas atividades em 1911, como Escola Profissional Masculina durante o Governo Estadual de Albuquerque Lins e na presidência do Marechal Hermes da Fonseca. Em 1914, formava-se a primeira turma. Entre 1915 e 1930, acompanhando as necessidades provenientes do desenvolvimento urbano e industrial, a escola qualificava profissionais, em sua maioria, para o ramo metal-mecânica. Em 1917, ela foi transferida para a R. Piratininga, 105, no bairro do Brás.

O presidente Getúlio Vargas, que já havia tido sua atenção despertada para a escola, devido a participação na exposição comemorativa do Centenário da Revolução Farroupilha, em Porto Alegre, visitou-a duas vezes - em 1940 e 1941, e em decorrência disso, no último ano, para homenageá-lo, a instituição teve seu nome alterado para Escola Técnica Getúlio Vargas.

Entre uma das primeiras turmas a se formar no curso de Técnico de Educação, estava Ianeta. “Formei-me em 1946, na primeira turma do curso. Foi aí que tudo começou”, relembra.

Lado a lado
Ianeta conta que sempre morou na Zona Leste, primeiramente no bairro da Penha, na Bernardino Vergueiro, na saudosa estação de Engenheiro Trindade. “Em 1977 me mudei para a Mooca, no mesmo apartamento que estou até hoje”, enfatiza.

De sua carreira, o aposentado lembra com precisão o momento em que a Escola Estadual Getúlio Vargas, localizada ainda na R. Piratininga, teve que se mudar devido a necessidade de reformas, para três endereços diferentes: Tatuapé, atualmente com o nome de Martin Luther King, Vila Prudente e Ipiranga, sendo que na época, ele ocupava o cargo de diretor das três unidades. “Lembro-me que quando isso aconteceu recebia apenas um ordenado e os professores entraram com recurso na Secretaria de Educação, pois não se conformavam em deixar o colégio, sabiam que com o tempo (e acertaram) nem todas seriam a Getúlio Vargas, que pagava ao professor um pouco mais do que as outras escolas profissionais. A única que recebeu o nome na mudança foi a do bairro do Ipiranga, mas no começo, as outras duas também eram chamadas de Getúlio Vargas”, destaca o ex-diretor.

Amor pela profissão
O especialista em cursos técnicos ocupou alguns cargos na instituição, como técnico de educação, professor e diretor interino e efetivo. “No tempo em que era estudante, fiz o Ginásio Paulistano, que tinha a duração de cinco anos. Prestei o exame de seleção para ingressar e consegui uma das primeiras vagas. Também cursei Pedagogia, além de ter feito Pré-Politécnica para que pudesse cursar Engenharia ou Medicina”, relembra.

Entre tantas atribuições, Ianeta foi presidente do Grêmio do colégio, diretor substituto em cargos vagos, ajudou a organizar reencontros das turmas da Getúlio Vargas e participou ativamente do aniversário de 100 anos da escola, reunindo quase 500 alunos e ex-alunos. “Nesse meio tempo, também tive uma fábrica de giz, mas meu destino sempre foi estar na Getúlio Vargas, na qual fiquei até meados de 1972, quando fui trabalhar como chefe de gabinete”, conta.

Ianeta ajudou a construir a história da educação na Zona Leste e influenciou centenas de jovens que, já naquela época, buscavam uma formação para enfrentar o mercado de trabalho em expansão. Também mobilizou professores e educadores e, até hoje, é uma figura tida como exemplo quando as histórias sobre a Escola Técnica Getúlio Vargas são lembradas pelos quatro cantos da Zona Leste.