Edição 250 | Setembro/12

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31/08/2012 16:19

O Brasil é bronze

Jovens estudantes foram à Alemanha representar o País no Torneio Internacional de Física


Da esquerda para a direita, Guilherme Moreira, Ibraim
Rebouças, Bárbara Cruvinel, Liara Guinsberg e João Gabriel 

Diante das 17 medalhas que os esportistas brasileiros conquistaram nas Olimpíadas de Londres, todo o País está voltado à prática das modalidades esportivas. Mas, foi um grupo de estudantes do Ensino Médio, que alcançou o reconhecimento do Brasil no exterior através da Física. Pertencente à equipe que trouxe a medalha de bronze no IYPT - Torneio Internacional dos Jovens Físicos, o estudante do Colégio Objetivo, do Tatuapé, Ibraim Rebouças, conta que antes da competição internacional, o grupo conquistou a medalha de prata em um torneio contra alunos de vários estados brasileiros. “Soube do IYPT através de professores do colégio. Decidi participar principalmente pelo caráter experimental da competição. A teoria me interessa muito, mas sempre gostei de construir e ver na prática como as coisas funcionam, por isso adorei o modelo da competição”, conta.

Cursando o segundo ano do Ensino Médio, Rebouças teve uma preparação intensa antes da viagem. “Após as etapas nacionais, a equipe brasileira já havia se encontrado em São José dos Campos para utilizar algumas instalações do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e organizar as apresentações. Passei 10 dias na Alemanha, onde ocorreu o torneio; e cinco dias na Suíça. Na Alemanha, foi onde tivemos contato com mais culturas (28 países participantes), o que não foi apenas divertido, mas nos fez adquirir uma bagagem cultural para toda a vida”, alega.

O estudante conta que a viagem teve grande importância em sua vida acadêmica, além da inédita conquista para o País. “Esta edição do torneio foi muito importante para o Brasil, tanto por questões de equipe (união, cooperação e persistência), quanto pelo resultado, já que foi a primeira vez em seis anos que voltamos com uma medalha”, ressalta.

Quanto às dificuldades que enfrentou, ele explica que realizar os experimentos, sem o apoio de instituições de ensino, “visto que a maior parte dos países contava com disponibilidade de laboratórios e profissionais cedidos pelas instituições e pelo governo para auxílio na parte experimental”, foi uma delas. “Outra dificuldade foi ter confiança para falar na frente de uma banca de jurados com importantes formações em física e de vários países de primeiro mundo. Mas, nada impossível, basta ter confiança no que se está dizendo”, afirma.

O apoio da família e da escola foi primordial para o sucesso do estudante. “A escola financiou viagens de encontro da equipe, para locais de preparação, disponibilizando as salas e laboratórios do colégio e ainda custeou todas as despesas da viagem internacional”, ressalta ele.


Rebouças posa com a medalha de bronze em lago na
cidade de Zurich, na Suíça


O caminho certo...
Para o adolescente, a Física e a área de Ciência, em geral, não são valorizadas no Brasil e como consequência há ausência de bons profissionais. Além disso, há um preconceito com o aluno que vai bem nesta matéria, muitas vezes tido como ‘nerd’ em sala de aula. “Nunca tive problemas com isso, mesmo quando chamam, não é no sentido pejorativo, sempre gostei bastante de estudar ciências exatas, mas isso não me impede de ter uma vida social normal, é apenas uma questão de gosto. A dica que posso dar para quem sofre este problema é continuar fazendo o que gosta no sentido acadêmico, e ignorar pessoas que o criticam, pois com certeza este é o caminho certo”, conclui Rebouças.