Edição 246 | Maio/12

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26/04/2012 15:55 - Atualizado em 26/04/2012 20:53

Mães conectadas

O acesso à internet e às redes sociais dividem espaço entre a carreira e o cuidado com a família na rotina destas supermulheres


Foi-se o tempo em que os filhos e o maridão passavam horas a fio conectados à internet, enquanto a dona do lar administrava tudo sozinha. Hoje, com as carreiras igualmente consolidadas, as tarefas são divididas entre homens e mulheres em comum acordo. Com isso, elas podem valorizar o seu tempo livre para fazer coisas que lhe agradem, como tomar um café com as amigas ou mesmo bater papo durante horas no MSN e redes sociais.

“Estamos vivendo a era onde as pessoas que eram adolescentes no estouro da internet no Brasil, em 1995, hoje, são pais e mães. Elas têm entre 30 e 40 anos, são economicamente ativas, cresceram com a internet e se tornaram consumidoras dessas mídias. As crianças usam a web com outros propósitos. Têm conta no Facebook, mas preferem jogos online. Os adultos usam a web para conversar, se relacionar, comprar, pesquisar, além disso, passam de oito a 10 horas por dia no trabalho, com acesso ao computador e em muitos casos à internet também”, conta o professor de Planejamento da Pós-Graduação em Marketing Digital da Faculdade Impacta de Tecnologia, Felipe Morais.


Família reunida: Victor, Lilian, Lucas e Nathan 

Perfil das novas mães
Segundo o especialista, as ‘novas mães’ usam a internet para todo o tipo de pesquisa. “Seja para comprar um sapato ou mesmo verificar que tipo de doença os filhos têm. É o que os médicos estão chamando de Dr. Google, ou seja, as mães já chegam ao médico ‘sabendo’ o que o filho tem, pois pesquisaram no buscador os sintomas”, alerta.

Atualmente, encontramos no mercado diversos modelos de celulares modernos com conexão à internet. “Por mais que as pessoas, em sua maioria, tenham o primeiro acesso à web e consequentemente às redes sociais via computador, o celular tem se tornado uma ‘extensão do corpo’, ou seja, ninguém mais sai de casa sem ele. Não é raro ver em um restaurante 40% das pessoas sentadas mexendo no celular. Basta ir em regiões com grande concentração de empresas para notar esse fenômeno na hora do almoço. A tecnologia está mais acessível e cada vez mais fácil de usar. Minha filha de 1 ano e 8 meses já sabe desbloquear o iPhone e o iPad, coisa que meus pais, com 60 anos, não sabem”, relata Morais.

Família unida
A coordenadora pedagógica Lilian Gonzales Bigai é mãe de Lucas, 20, Victor, 19 e Nathan, 13. Apesar do período turbulento da adolescência, no qual os garotos querem trocar informações com os amigos ou mesmo paquerar, é a mãe quem mais interage pela internet. “Considero a minha mãe mais ativa que eu. Ela passa boa parte do seu tempo livre navegando. Divido meu tempo entre livros, telefone, tv e internet. Pode apostar que quando não estou no computador é ela quem está usando”, diverte-se Lucas, o mais velho.

A mãezona conta que acessa a internet há alguns anos e que antes apenas verificava seu e-mail e fazia pesquisas, mas hoje adora ver as notícias em sites variados, “além de deixar um tempo para conversar com os amigos através das redes sociais” com seus mais de 250 conhecidos.

Enquanto Lucas acessa a internet quando tem o dia livre para ver suas atualizações e recados nas redes sociais, ver vídeos ou artigos científicos, a ‘mamis’ morre de curiosidade durante o dia, já que no trabalho só utiliza o computador para uso profissional. “Estando ausente da escola carrego meu notebook comigo para, sempre que necessário, navegar. De final de semana, entre um compromisso familiar e outro, navego sempre que posso, mas no final das contas, acesso mais neste período, do que durante a semana”, conta.

“Todos eles têm redes sociais. Quando me comparo com o Nathan, fico para trás, pois ele está ligado o tempo todo. Entretanto, em relação ao Lucas, que cursa o segundo ano de Medicina ou o Victor, que é violinista de Orquestras Estaduais desde os 12 anos, vejo que tenho mais tempo pra acessar do que eles. Há momentos, porém, que estamos todos conectados ao mesmo tempo, em casa ou não. Daí surgem as mais diversas brincadeiras entre nós. Estamos sempre unidos, seja fisicamente ou no mundo virtual”, diz Lilian.


Da esquerda para a direita, Rita, Aline, Nathalia e Ariane.
Na foto menor, o filho Evandro 


Internauta assumida
A assistente contábil Rita Souza divide seu tempo entre trabalho, seus quatro filhos, Nathalia, 26, as gêmeas, Aline e Ariane, 22 e o caçula Evandro, 20 e a internet. “Acho superinteressante que a geração da minha mãe também domine a tecnologia, porque eles têm que se atualizar com os tempos modernos e hoje em dia com a internet tudo fica mais fácil. Minha geração tem que apoiar suas mães a usarem mais a web, isso faz bem a elas, ficam mais comunicativas e assim falamos a mesma língua”, opina Aline.

Já Ariane considera a mãe uma superinternauta. “Ela vive 24 horas por dia na internet”, diverte-se. Rita acessa a rede desde 2000 e é usuária do Orkut, MSN, Skype e Facebook. “Navego em média 8 horas por dia através do celular. Nos fins de semana esse tempo diminui. Aprendi tudo com os meus filhos e hoje consigo fazer consultas na minha área, acessar receitas, viagens e saber das novelas através dela. Fora que com o Skype e o MSN, por exemplo, economizamos na conta de telefone”, pontua.

A mãezona destaca ainda que as pessoas ficam mais acessíveis, não sentindo-se solitária, pois é possível marcar eventos e a “conversa flui com os amigos distantes como se estivessem na sala de casa através da webcam”, finaliza.