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12/01/2012 13:36 - Atualizado em 12/01/2012 13:46
Estilo tecnobrega
Conheça o ritmo do Belém do Pará que vem conquistando os brasileiros
Que o Brasil é o País das miscigenações todo mundo já sabe. O que muitos desconhecem é a mistura de ritmos e danças que todas essas culturas juntas fazem surgir em diferentes partes do nosso território, como o tecnobrega, uma união do brega com as batidas eletrônicas da aparelhagem de um DJ.
O estilo nasceu no Pará, mas já tem agitado as noites paulistanas. Segundo o advogado e co-autor do livro “Tecnobrega: o Pará reiventando o negócio da música”, Ronaldo Lemos, essa é uma evolução de vários outros gêneros como o brega dos anos 60 representado por Odair José, Banda Calypso e de ritmos caribenhos, que têm uma presença forte na região, com as batidas eletrônicas, um componente de inspiração de bandas como os alemães do Kraftwerk.

Gaby Amarantos, conhecida como a Beyoncé do tecnobrega
Novos recursos
O som do tecnobrega surgiu no início dos anos 2000. Lemos explica que na medida em que a tecnologia foi barateando, ficou mais fácil ter acesso a computadores e softwares de produção de áudio e esses elementos foram rapidamente incorporados ao ritmo.
As bandas de aparelhagem encontraram uma nova forma de promover suas músicas sem precisar das gravadoras, com a distribuição de CD’s feitos de forma caseira e deixados em camelôs, apostando no uso da internet para divulgação do trabalho do artista.
Quem executa essa prática é a cantora Gaby Amarantos, conhecida como a Beyoncé do Pará, que hoje faz sucesso em todo o Brasil. Ela cuida da distribuição dos seus CD’s e acredita que seu sucesso aconteceu com a divulgação do seu trabalho e os consequentes convites para shows. “Encontrei uma forma de me manter”, conta a artista.
Contagiante
O tecnobrega é um estilo em permanente evolução. “Existe uma liberdade muito grande, sem a necessidade de se prender a códigos ou linguagens específicas. Lembra um pouco o ambiente criativo dos artistas na primeira geração de raves inglesas, no final dos anos 80, onde predominava o ‘faça você mesmo’. Assim, dentre as mutações do ritmo, está o Eletro Melody, de batidas mais rápidas e com inspiração de elementos no estilo Benny Benassi, com boas pitadas de reggaeton. Existe também o Tecno Melody, com batidas mais lentas e românticas e com influência do pop ‘açucarado’ global”, pontua Lemos.
Sua batida é fácil de ser reconhecida e no geral é mais lenta que as outras eletrônicas conhecidas do grande público, como o house ou tecno. Em cima desse novo ritmo há um espaço enorme para invenções, efeitos sonoros e versões mais aceleradas ou marcações misturadas.
Como dançar?
Segundo Ronaldo, é muito simples. É possível dançar em par ou sozinho. “No início era um dos poucos ritmos eletrônicos conduzidos pelo casal. Atualmente, as pessoas dançam sozinhas entre os amigos”, completa.
Como não há regras e o tecnobrega alia diversos estilos, como rock, vocais melosos ou até reggaeton, a dança também é de livre expressão, assim como o ritmo que a conduz. O importante é deixar as batidas ditarem os passos.

Leitura
O livro “Tecnobrega: o Pará reiventando o negócio da música” é resultado de um estudo feito por Ronaldo Lemos e pela jornalista Oona Castro, quando o ritmo ainda era desconhecido. “Nesse estudo, medimos a força econômica do estilo, seu uso intensivo da tecnologia e os novos modelos de negócios usados pela cena. Logo vimos que era possível aprender várias lições com o tecnobrega sobre o futuro da música”, esboça o co-autor.