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101 aniversários bem vividos

Publicada em : 06/02/2015

Apparecida, moradora do Tatuapé, relembra momentos importantes do bairro e conta sobre sua carreira no Turismo



Em um Tatuapé distante, cercado por indústrias e chácaras, no ano de 1936, o casal Apparecida de Oliveira Santos e Laudelino dos Santos, começaram a construir sua vida ao lado das filhas em uma pequena casa atrás do que hoje é o Colégio Mary Ward. 

Naquela época, muitos indivíduos vinham para cá atraídos pela tradicional Fazenda Marengo, conhecida pelas suas uvas, que poderiam ser degustadas no ‘pé’. “As ruas não tinham luz e esgoto. Demorou para tudo isso acontecer. Hoje é uma outra cidade, na verdade, a cidade veio para cá. E me dei muito bem aqui, meu marido (já falecido) trabalhava na Companhia Telefônica e nunca quisemos sair”, relata ela.

Recordações
Quando Apparecida chegou a São Paulo, com cerca de 12 anos, foi morar com a tia próximo a Igreja Santo Antônio do Pari. Ela trabalhava em uma casa na R. Augusta e em frente existia uma Fundação de francesas chamada Santa Mônica, na qual Cida estudou e no período da tarde, passou a ajudar no atendimento ao público e no fornecimento de refeições aos moradores de rua. Apesar de ter começado a trabalhar desde cedo para ajudar a mãe e os irmãos, a moradora do Tatuapé chegou a cursar uma escola técnica no Brás e ingressou na área de Turismo, em 1972, na Faculdade Ibério, na Av. Brigadeiro Luís Antônio. “Trabalho com agências de turismo que oferecem pacotes para a Melhor Idade. Sou conhecida como Tia Cida”.

Segundo ela, em 1972 o Turismo era ‘devagar’. Antes do envolvimento com a área, ela trabalhou no Instituto Adolfo Lutz. “Estive desde 1948 no Governo. Trabalhei muito tempo, até meados de 1979”, conta Apparecida.

Lar doce lar
O que motivou a saída da família do Brás para o Tatuapé foi o alagamento provocado pelas fortes chuvas nas casas da vila onde morava. “Casei com um viúvo, que já tinha duas meninas. Eu as criei e fiz casarem. As duas, infelizmente, já faleceram, uma delas em 1969 e a outra mais recente, em 2011. Meus netos moram comigo até hoje e estão com cerca de 50 anos. Meu primeiro esposo faleceu depois que completamos 27 anos de casados e depois de 12 anos, fiz um casamento de contrato. Mas, eu só queria trabalhar, e meu hobby era dançar, participar dos bailes”, alega.

Em agosto, Tia Cida completa 102 anos muito bem vividos ao lado de um dos filhos (o caçula que está com 70 anos), netos, bisnetos e até trinetos.
“O que mais gosto de fazer é trabalhar com Turismo, levar as pessoas para passearem. Faço com muito amor e já pude desfrutar de viagens com roteiros maravilhosos para diversas regiões do País. Já fomos para Rio Quente, em Goiás, Bahia, Recife, Curitiba, Blumenau, Poços de Caldas e agora vou mais perto, Campos do Jordão, Guaratinguetá, Botucatu e Barra Bonita. Mas, só vou se for de ônibus, de avião nem pensar”, diverte-se Cida.

Fonte:Revista IN