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Sono: O vilão das estradas nas férias

Publicada em : 19/12/2014

Antes de pegar a estrada, o motorista deve estar bem disposto e decidir qual o melhor horário para ficar horas na direção


O período de férias chegou e as estradas ficam ainda mais movimentadas. Com o aumento de veículos nas rodovias todo cuidado é pouco para evitar transtornos. Nesta época, um dos grandes vilões é o sono ao volante, que pode provocar acidentes graves e acabar com a tão esperada viagem com a família ou amigos.

Antes de pegar a estrada, o motorista deve estar bem disposto e decidir qual o melhor horário para ficar horas na direção. O especialista em distúrbios do sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Shigueo Yonekura, diz que o condutor precisa estar descansado e optar por um horário que ele se sinta bem para dirigir. “O sono está entre as principais causas de acidentes nas estradas”, reforça.

O neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba alerta ainda que, em muitos casos, os melhores horários para fugir dos congestionamentos são os mais arriscados. O risco de morte é quatro vezes maior nos acidentes noturnos. Durante a madrugada, a gravidade dos acidentes costuma ser maior. Neste período o fluxo melhora, os veículos aumentam a velocidade e os motoristas ficam mais sujeitos ao cansaço e sonolência. Ele explica que a temperatura do corpo cai de madrugada e os condutores ficam mais propícios à perda de coordenação motora e reflexo.

“O condutor não pode se arriscar e sair à noite depois de um dia todo de trabalho e enfrentar horas de viagem. Se a única opção for viajar após o expediente, uma dica é tirar uma soneca de aproximadamente 15 minutos antes de pegar a estrada”, comenta. Outra recomendação é evitar comer em excesso antes de dirigir, já que alimentos pesados e em demasia podem aumentar a sonolência.

Conforme o neurologista, o motorista utiliza três funções importantes para dirigir: cognitiva, motora e sensório-perceptiva. A primeira está ligada à atenção, concentração e agilidade mental. A segunda permite ao motorista realizar movimentos de cabeça, braços, pernas, etc. Já a terceira está relacionada à sensibilidade tátil, visão e audição. “O sono deve estar em dia para que as funções atuem de maneira adequada e o condutor esteja preparado para enfrentar as rodovias”, afirma.

Sonolência diurna

Já quem sofre de sonolência excessiva diurna e sente uma vontade incontrolável de dormir durante atividades rotineiras e em momentos inoportunos é preciso ficar mais atento ainda. Adormecer em uma reunião de trabalho ou no cinema pode ser desagradável. Mas a situação pode ser ainda mais grave quando o sono aparece ao volante. A verdade é que a sonolência excessiva diurna deve ser levada muito a sério e as causas precisam ser investigadas para evitar consequências significativas. 
Algumas pessoas têm um período temporário, muitas vezes no início da manhã, em que se sentem sonolentas. Só que esse desejo de tirar uma soneca rápida é completamente diferente da sonolência diurna excessiva. A prevalência da sonolência diurna, que afeta aproximadamente 30% da população adulta, traz problemas para a saúde, prejudica o desempenho profissional e acadêmico e compromete as funções psicossociais.

Na ausência de privação de sono, a sonolência diurna pode ser causada por um transtorno do sono identificável e tratável. Doenças como síndrome da apnéia obstrutiva do sono, narcolepsia e Síndrome das Pernas Inquietas podem provocar a sonolência. Alguns transtornos de origem psíquica, como a depressão, também estão ligados ao problema.

A causa mais comum da sonolência excessiva diurna na sociedade é a privação crônica do sono. Estimativas indicam que dormimos 25% menos que nossos antepassados há um século. Dessa forma, nossa privação de sono é intencional, muitas vezes impulsionada por fatores sociais ou econômicos. As opções de compra no período noturno, a internet, informações sobre o mercado de ações a qualquer hora do dia, bem como a televisão durante toda a noite e negócios por 24 horas, incentivam cada vez mais a privação do sono.

O grande volume de trabalho faz com que o período da noite deixe de representar sono e descanso para uma parte significativa da população. Muitos trabalhadores se revezam entre os períodos noturno e diurno ou até vivem trocando a noite pelo dia.

Além de todas as consequências que este tipo de jornada traz à saúde do indivíduo, existe também a possibilidade de se provocar acidentes graves de trabalho.

Fonte:Instituto do Sono