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Cordão umbilical: quando e por que doar?

Publicada em : 28/10/2014

Procedimento apresenta importantes resultados para o tratamento de doenças graves


O cordão umbilical, que une o feto à placenta da mãe, é responsável pela nutrição e oxigenação do bebê durante a gestação. Após o parto, ele não é mais necessário para o desenvolvimento da criança, mas você sabia que o sangue que permanece na placenta e na veia umbilical pode salvar vidas? Pois é, o sangue que é descartado pode ajudar quem sofre de doenças hematológicas, como Leucemia e Mielodisplasias.

De acordo com o hematologista e diretor técnico da Criogênesis, Dr. Nelson Tatsui, o sangue do cordão umbilical, assim como a medula óssea, é rico em células-mãe, que podem originar diversos tipos de tecidos. “As células-mãe são células mestras, capazes de criar os componentes principais do sangue humano e do sistema imunológico do corpo. A partir dessas células, formam-se glóbulos vermelhos que levam o oxigênio aos tecidos, glóbulos brancos para combater infecções e plaquetas para a coagulação”, explica. Além do tratamento das leucemias, o material coletado pode ser utilizado para o tratamento de 79 tipos de doenças, como Talessemia e Linfomas. Outras doenças como Diabetes Tipo 1, doenças neurológicas e, até mesmo, a Aids, são objetos de estudos.

E O ARMAZENAMENTO: BANCO PÚBLICO OU BANCO PRIVADO?

O momento do nascimento é a única oportunidade para a coleta das células-tronco do cordão umbilical, portanto, este procedimento deve ser incluído nos preparativos que antecedem a chegada do bebê. “A retirada do sangue do cordão umbilical deve ser realizada imediatamente após o parto. Depois, as células-tronco são separadas em um laboratório e podem ser armazenadas por muitos anos em tanques refrigerados com nitrogênio, a uma  temperatura próxima de -190°C”, diz Tatsui. O especialista afirma ainda, que o processo para retirar o sangue do cordão é indolor e não apresenta nenhum risco para a mãe ou para o bebê.

Atualmente existem duas entidades de armazenamento: banco de sangue privado e banco de sangue público. Nos privados, o sangue do cordão do bebê é armazenado para seu próprio uso ou para utilização de um membro da família em caso de necessidade.  Já nos bancos de sangue públicos, a família doará o sangue do cordão umbilical, o qual será armazenado e estará disponível para quem seja compatível e precise de um transplante.

O assunto, no entanto, sobre o sistema de coleta e armazenamento, gera inúmeras dúvidas. Abaixo, o hematologista da Criogênesis esclarece os principais questionamentos:

Onde posso coletar o sangue de cordão do meu filho?

No Brasil existem dois sistemas: um sistema dirigido para unidades públicas e outro para o sistema privado. O BrasilCord representa a rede pública e possui aproximadamente 13 unidades espalhadas pelo Brasil. A gestante deverá buscar uma das 13 unidades coletadora e seguir todos requisitos técnicos e legais.

No setor privado, oriento que a mãe busque uma unidade geograficamente próxima ao centro médico de opção em caso de necessidade de transplante. Também deverá seguir critérios técnicos e legais específicos do sistema privado.

Como é feita a coleta do Cordão Umbilical?

A coleta é rápida, dura em torno de cinco minutos, e sempre é realizada imediatamente após o nascimento do bebê. A drenagem do sangue do cordão umbilical é feita por meio de uma punção com agulha na veia umbilical e seu acondicionamento se dá em uma bolsa contendo anticoagulante e nutrientes. Todo o processo da coleta deve ser realizado com rigorosa técnica asséptica. O tempo de transporte entre a coleta e o processamento deve ser no máximo de 48 horas.

Quanto tempo o cordão pode ficar congelado?

Não há tempo máximo definido pela literatura. Há relatos de unidades congeladas há aproximadamente 23 anos, que demonstram viabilidade celular adequada.

Quais os riscos e até que ponto o transplante destas células interfere na vida de uma pessoa?

No início do tratamento, ocorre a destruição da medula-óssea doente através da quimioterapia. Após este procedimento, realiza-se o transplante para recuperação do sistema sanguíneo e imunológico, por meio da transfusão das novas células-tronco. Enquanto ocorre essa recuperação, o paciente corre risco de infecção e sangramento. Por isso, o paciente fica invariavelmente internado por três a quatro semanas. Após a recuperação do sangue, o cuidado é permanente e, muitas vezes, é necessário o comparecimento diário ao hospital.

Caso filho (a) da gestante que doou seu cordão necessitar de um transplante de células-tronco, ele (a) terá prioridade?

No caso da contratação do serviço no sistema privado, o armazenamento é de uso exclusivo do bebê. No caso de doação para o sistema público, a unidade fica armazenada em um dos bancos públicos da rede BrasilCord a espera de um paciente compatível, habitualmente portador de uma doença hematológica grave. Nesse caso, a família não poderá reivindicar a qualquer tempo o sangue de cordão doado.

Como os pacientes receberão estas células?

Após o tratamento quimioterápico e/ou radioterápico para o preparo do paciente para o transplante, o sangue de cordão umbilical é descongelado e infundido na veia como se fosse uma transfusão de sangue.

Quem recebe os órgãos doados?

No caso do setor público, o receptor do sangue de cordão umbilical é um paciente com doença do sistema sanguíneo e imunológico e totalmente compatível com o doador. Os principais exemplos de indicação de transplante de sangue de cordão umbilical são: leucemia aguda, leucemia crônica, linfoma, imunodeficiência congênita, hemoglobinopatia, mielodisplasia, e outras doenças.

Fonte:Dezoito Comunicação