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Estudo associa ‘falsos-positivos’ com risco aumentado para câncer de mama

Publicada em : 10/09/2014

O resultado, publicado recentemente no jornal Cancer Epidemiology, revela que as pacientes que receberam resultado falso-positivo demonstraram 27% mais chances de ter câncer de mama ao longo da vida


Pesquisadores dinamarqueses estudaram mais de 58 mil mulheres submetidas ao exame de mamografia entre os anos de 1991 e 2005. O resultado, publicado recentemente no jornal Cancer Epidemiology, revela que as pacientes que receberam resultado falso-positivo demonstraram 27% mais chances de ter câncer de mama ao longo da vida em relação àquelas que receberam resultado negativo. Esse fenômeno, ainda não explicado, não está relacionado a erros de classificação. De acordo com a professora da Universidade de Copenhagen, My Von Euler-Chelpin, apesar de não identificar as causas desse aumento, o estudo é um passo a mais na tentativa de identificar grupos de alto risco para o câncer de mama e aponta para a necessidade de diagnósticos mais individualizados.

De acordo com a médica radiologista Vivian Schivartche, do Centro de Diagnósticos Brasil, em São Paulo, um dos grandes trunfos contra os falsos-positivos é a tomossíntese – também conhecida como mamografia 3D ou ainda mamografia tomográfica. Esse exame, que já está disponível nas principais clínicas de diagnóstico por imagem do país, proporciona aumento de sensibilidade (maior detecção de câncer) e especificidade (menos falso-positivos e imagens que simulam tumores, mas são apenas tecido normal superposto). “Como a tomossíntese permite distinguir entre as imagens verdadeiramente suspeitas e aquelas provocadas apenas por superposição de estruturas normais, uma importante vantagem é a redução do número de biópsias. Esse dado é bastante relevante, já que cada vez mais pacientes têm sido poupadas de procedimentos complexos que acabam gerando estresse e desgaste emocional.”

A radiologista explica que, sempre que a mamografia convencional ou 2D é realizada isoladamente, a superposição de estruturas pode simular lesões suspeitas. Com a tomossíntese, cada imagem representa uma fatia de um milímetro da mama, eliminando a superposição dos tecidos. Com isso, há melhor definição das bordas das lesões, proporcionando melhor caracterização dos seus contornos. Também é possível obter melhor detecção de lesões sutis e saber exatamente onde, na mama, a lesão está. Em média, a tomossíntese leva quatro segundos para ser realizada. Estudos iniciais realizados pelo CDB Premium em 2010 resultaram num aumento de 15% na detecção do câncer de mama, já que essa combinação de técnicas permite enxergar o câncer numa fase muito precoce e em mamas densas e heterogêneas.

Pioneira na introdução da tomossíntese na América Latina, Vivian Schivartche diz que, além de aumentar a detecção do câncer da mama, a tomossíntese possibilita a detecção de tumores menores, fato que tem implicação direta na sobrevida e na qualidade de vida das pacientes. “Tumores menores permitem a realização de cirurgias menos mutilantes e a um custo consideravelmente mais baixo de tratamento. Tudo isso tem impacto na qualidade de vida da paciente e deve ser priorizado sempre que possível.” Há alguns anos, a mulher era submetida a um procedimento cirúrgico para retirar a lesão e analisar se o nódulo era benigno ou maligno. “A paciente permanecia internada por dois ou três dias e ainda ficava com uma cicatriz. Em caso de diagnóstico maligno, era realizada uma nova cirurgia para retirada de tecido ao redor do tumor. Hoje, a mamotomia – que é realizada na maior parte das clínicas das grandes cidades – é um método diagnóstico preciso, facilita a vida da paciente e não deixa marcas – nem físicas, nem emocionais”, diz a médica.

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