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Anvisa aprova novo medicamento de ação prolongada para esquizofrenia

Publicada em : 02/05/2019

Tratamento é o primeiro administrado em apenas quatro aplicações ao ano.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar um novo medicamento para esquizofrenia, desenvolvido pela Janssen, empresa farmacêutica da família de companhias Johnson & Johnson. O palmitato de paliperidona trimestral é a primeira injeção de ação prolongada que requer apenas quatro doses ao ano e, por isso, chega ao Brasil como uma opção para aumentar a adesão ao tratamento, prevenindo as recaídas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. 

A esquizofrenia é um transtorno mental que afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo. A doença é caracterizada por distorções no pensamento, percepção, emoções, linguagem e comportamento. Os sintomas comuns incluem alucinações (ouvir, ver ou sentir coisas que não existem) e delírios (falsas crenças ou suspeitas, mantidas mesmo quando há provas que mostram o contrário).[1]

Estima-se que entre 40 a 71%[2],[3],[4] dos pacientes com esquizofrenia não seguem corretamente o tratamento[5]. A baixa adesão é justamente uma das principais causas para as recaídas[6] que ocorrem em aproximadamente 80% dos pacientes com a doença em cinco anos.[7],[8]

Os novos surtos psicóticos representam uma sobrecarga significativa tanto para pacientes como para suas famílias. Para os pacientes, podem ter repercussões muito graves, como deterioração cognitiva progressiva, comprometimento nas relações interpessoais e redução da qualidade de vida.[9] Além disso, a cada episódio a recuperação pode ser mais lenta e o transtorno pode se tornar mais resistente ao tratamento[10],[11],[12].

O novo tratamento, que consiste em uma evolução da paliperidona mensal injetável, também fabricado pela Janssen e já disponível no Brasil desde 2011, requer apenas quatro aplicações por ano. Dessa maneira, proporciona maior adesão[13], evitando recaídas e promovendo um controle sustentado dos sintomas. Nos estudos realizados com o medicamento, mais de 90% dos pacientes que receberam o tratamento injetável no novo esquema posológico não apresentaram recidivas no período de um ano e meio[14].

Frederico Garcia, médico e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais ressalta o impacto na qualidade de vida dos portadores da doença. “Um paciente com esquizofrenia toma de 3 a 6 comprimidos ao dia, totalizando até 2.880 comprimidos por ano. Com essa nova opção terapêutica, é preciso lembrar do medicamento somente quatro vezes nesse mesmo período. Ou seja, teremos uma maior adesão, mais liberdade e autonomia para que a pessoa diagnosticada com esquizofrenia possa se dedicar a outras atividades do dia-a-dia, como trabalho ou estudo; e também focar em outros aspectos do seu tratamento.”

“A chegada do palmitato de paliperidona trimestral reforça o comprometimento da Janssen com a saúde mental, demonstrando os esforços da companhia em investir na expansão de opções de tratamento de necessidades não atendidas de milhares de pacientes e famílias que convivem com doenças tão potencialmente debilitantes como a esquizofrenia”, explica Telma Santos, Diretora Médica da Janssen Brasil. Agora, o palmitato de paliperidona trimestral passará por processo de aprovação de preço na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

O produto está aprovado para o tratamento da esquizofrenia em pacientes adultos que já tenham sido adequadamente tratados com a injeção mensal de palmitato de paliperidona por pelo menos quatro meses. O novo medicamento apresentou perfil de segurança e tolerabilidade sustentável, já estabelecido em múltiplos estudos realizados para  todas as apresentações do produto – oral, injetável mensal e injetável trimestral[15],[16]. Os eventos adversos mais comuns foram reação no local da injeção, aumento de peso e dor de cabeça14,15.

Fonte:Littlegeorge