Educação

Home/ Notícias Online/ Educação/ Pisa 2012 terá prova eletrônic...

Pisa 2012 terá prova eletrônica

Publicada em : 03/10/2011

"Não se trata de uma prova estática na qual o estudante apenas assinala uma alternativa entre cinco presentes", revela o gerente nacional do Pisa, João Bacchetto

O gerente nacional do Pisa, João Bacchetto, revelou, em palestra na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo que a prova terá recursos multimídias.

"Não se trata de uma prova estática na qual o estudante apenas assinala uma alternativa entre cinco presentes. O aluno poderá usar vários gráficos e estabelecer conexões entre eles", afirmou. Nas questões de português, por exemplo, poderá ser exigido respostas simulando emails e busca por informações na internet.

Ele disse que o Inep não está preocupado, neste primeiro momento, com possíveis problemas de fraude na prova eletrônica, já que haverá vários modelos. Na opinião de Bacchetto, talvez o maior empecilho seja de logística e infra-estrutura das escolas. Segundo ele, a ausência de laboratórios de informática nas escolas deve ser superada em poucos anos.

Educação financeira
O gerente nacional do Pisa informou ainda que está em estudo a adoção de uma prova de letramento financeiro, que já foi pré-testada este ano em diversas escolas, com bons resultados. Entretanto, como a disciplina está fora do currículo escolar, a tendência do Ministério da Educação é não adotar a prova neste momento.

Bacchetto informou que a prova de letramento financeiro possui questões que envolvem matemática financeira, como porcentagem e juros, ou definição de valores, sempre relacionadas ao cotidiano ao aluno. Ele lembrou que já existe um projeto de lei em tramitação no Congresso que cria a disciplina de educação financeira nas escolas.

Neste segundo semestre, 900 escolas públicas de ensino médio dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Tocantins iniciaram o "Programa Educação Financeira nas Escolas", organizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em parceria com o Ministério da Educação e apoio do Instituto Unibanco.

Resultados
Ao citar um recente estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com uma comparação entre os resultados do Brasil entre 2000 e 2009, o gerente nacional do Pisa destacou que o mais importante é que o Brasil está incluindo mais alunos na prova e o resultado está melhorando. "Talvez não estejamos melhorando na velocidade que gostaríamos, mas os avanços são inegáveis", disse. No Pisa de 2009, o Brasil foi o terceiro país que mais avançou no desempenho dos alunos.

O estudo do Ipea, fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos, mostra que quando o Pisa foi aplicado pela primeira vez, em 2000, 62% do brasileiros entre 15 e 16 anos tinha a escolaridade mínima para fazer a prova. Em 2009, eles já representavam quase 80% da população nesta faixa etária. Apesar dos avanços, o Ipea conclui que o desempenho médio dos alunos brasileiros "segue bem inferior ao da maioria dos países".

Autonomia da escola
João Bacchetto destacou ainda na palestra na Faculdade de Educação da USP que os resultados do Pisa revelam um interessante retrato sobre a autonomia das redes de ensino, das escolas e dos professores. Segundo ele, não há uma receita ideal, mas a tendência é que quanto mais autonomia, melhores são os resultados.

No caso do Brasil, o sistema educacional apresenta-se mais centralizado no quesito orçamento. "Verifica-se que muitas escolas afirmam não ter controle sobre seus gastos", afirmou o gerente nacional do Pisa.

Coordenado internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Brasil pelo Inep, autarquia do Ministério da Educação, o Pisa é aplicado a estudantes na faixa dos 15 anos. O Brasil participa desde a primeira edição em 2000, sempre como convidado.

As avaliações acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências. A cada edição há uma ênfase em uma área. Em 2012, o foco será em Matemática.

Fonte:CGC Comunicação em Educação