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Caminhos e Descaminhos da Educação Brasileira

Publicada em : 19/09/2011

Educador Paulo Nathanael Pereira de Souza faz uma avaliação geral e questiona as origens dos percalços da educação no país, o cenário atual e as perspectivas futuras

A escola no Brasil está longe de sua primeira missão, que é a de capacitar pessoas para o desenvolvimento, seja ele individual ou nacional. Essa afirmação é do presidente do Conselho Diretor do CIEE – Centro de Integração Empresa Escola, Paulo Nathanael Pereira de Souza, em seu novo livro, Caminhos e Descaminhos da Educação Brasileira, lançamento da Integrare Editora.

A obra tem como objetivo identificar as principais interfaces da crise, que afeta, de maneira avassaladora, o setor educacional brasileiro nos últimos trinta anos. Além disso, percorre todos os pormenores da educação brasileira e traça um panorama com um olhar crítico sobre o colapso educacional - cenário do qual, o Brasil é apenas um dos protagonistas, visto que hoje, a situação atinge o mundo inteiro, desde nações emergentes até as mais desenvolvidas. Ainda, abrange detalhes de política e planejamento educacional e modelos bem sucedidos neste assunto e sugere mudanças de rota para minimizar os efeitos perversos dessa crise tanto para as gerações atuais como para o patrimônio escolar e cultural das vindouras.

Com prefácio do professor Ives Gandra da Silva Martins, o livro aponta um novo caminho para a educação, possível graças à era da informação, caminho este que exige uma nova postura do ser humano, mas que ao mesmo tempo, gera incertezas diante da velocidade das mudanças. Este, inclusive, é um dos fatores que alavancam a crise educacional. O país apresenta carências em sua largada para o desenvolvimento, iniciada já há alguns anos – as deficiências passam necessariamente pela educação e impedem saltos maiores.

Segundo o autor, a ausência de uma política educacional consistente e modelos pedagógicos fracassados são fortes razões para a crise. A mudança deste cenário acredita o autor, somente será possível a partir de uma educação voltada para novos conhecimentos, novas necessidades, novas tecnologias de educação em detrimento a um ensino guiado por uma visão conservadora, controladora e tecnoburocrática: “É preciso primar pela liberdade e criatividade de alunos e professores em contraste com regras rígidas e com um sistema de ensino cada vez mais esclerosado” – propõe Nathanael.

Rico em detalhes, Caminhos e Descaminhos da Educação Brasileira, reúne informações que desvendam a origem da crise e facilitam a compreensão do quadro atual. Questões voltadas para a legislação estão presentes. Exemplo disso é a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96) que caracteriza o ensino fundamental, considerado o primeiro passo para a alfabetização, como universal e obrigatório para garantir a qualidade de vida da população. Entretanto, o especialista lamenta que o que realmente aconteça hoje, esteja tão distante do que deveria: “Não basta que o aluno aprenda mecanicamente a ler, contar e escrever. Entregar um diploma não é o suficiente. É necessário inserir a aprendizagem no contexto social, político e cultural do aluno para que ele desenvolva senso crítico, capacidades de escolha e de tomada de decisões” – conclui.

O ensino médio também é questionado ao lado do superior. E a boa notícia é que o autor aponta que há soluções para as insuficiências desde que governo e sociedade estejam empenhados: “A responsabilidade é de todos. Caso os recursos sejam insuficientes, que se elejam prioridades e que órgãos públicos e organizações comunitárias unam esforços” – avalia.

Modelo de sucesso
Em três partes, a obra traça de início, diagnósticos da crise a partir de modelos obsoletos de educação (popular ou elitizado), além de fornecer uma útil análise de países bem-sucedidos na educação de seu povo. A seguir, o leitor é brindado com artigos e excertos de várias épocas, que, ora reunidos, oferecem um claro histórico da luta do autor pela educação brasileira.

O livro aponta ainda a visão particular do autor sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o novo ENEM e Sisu – ferramentas de avaliação de alunos e professores e dedica um capítulo inteiro ao modelo de educação adotado pela Coréia do Sul. Marcado pelo tradicionalismo retrógado, o país, que até a década de 1960 sustentava índices econômicos e sociais equivalentes aos de Gana, na África, o passo por uma intensa reforma educacional e hoje tem um rígido planejamento educacional que começa na educação básica e inclui todos os indivíduos - de zero a 18 anos. O projeto engloba ainda atualização tecnológica – computadores nas escolas com acesso à internet; professores formados na pesquisa e utilização de novas tecnologias e uma mudança econômico-social: hoje um percentual de 19,5% do PIB do país é destinado à educação. No Brasil, este índice não ultrapassa 5%.

Modalidades de educação continuada e a distância são temas também em debate - a última tida como a grande contribuição do século XX para a educação. Mídias, celular, TV, rádio, as possibilidades tecnológicas são as mais diversas e favoráveis, desde que utilizadas com eficácia e qualidade para o aproveitamento dos usuários.

Por fim, na terceira parte, Paulo Nathanael esclarece e sintetiza questões bastante atuais de educação e gestão, como estágio, educação a Distância EAD e universidade corporativa.

Serviço:
Lançamento do livro Caminhos e Descaminhos da Educação Brasileira - Paulo Nathanael Pereira de SouzaPreço: R$ 35,90; 14x21 cm; 192 páginas; Integrare Editora, 2011 
Data: 26 de setembro de 2011
Local: Foyer do Espaço Sociocultural – Teatro CIEE (Centro de Integração Empresa Escola)
Endereço: Rua Tabapuã, 445, Itaim Bibi – São Paulo
Horário: 18h30

Fonte:Parceria 6 Assessoria de Comunicação