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Sudado

Publicada em : 01/12/2014

Vindo da Argentina, o espetáculo faz curta temporada em São Paulo

María Sureda
A história - dirigida por Jorge Eiro - se passa no cenário da reforma de um restaurante peruano. O filho do dono da empreiteira, que faleceu recentemente, retoma tarefas após o funeral junto com dois trabalhadores. Durante a jornada eles percebem um desejo silencioso de merecer algo melhor que aquela tarefa e se deparam com a sensação triste da derrota.

O texto foi escrito conjuntamente por Facundo Aquinos, Julián Cabrera, Belén Charpentier, Jorge Eiro, Facundo Livio Mejías e Paul Romero, artistas que vêm trabalhando juntos em outros projetos. No palco, estão três dos seis autores: Aquinos, Cabrera e Mejías.

As apresentações realizadas em São Paulo acontecem por convite da Kiwi Companhia de Teatro, integrando o projeto Manual de Autodefesa Intelectual, contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo 2014/2015.

A estética de Sudado tem por base o desejo de lançar um outro olhar sobre a cultura popular andina dos últimos 20 anos e seu contexto portenho. Para compor os personagens e alimentar a atmosfera do texto, a montagem toma para si a poética e o colorido dos restaurantes peruanos da zona de Abasto, o clima dos bares de cúmbia peruana e o universo das obras em construção. A investigação realizada pelo diretor e pelos atores permite ao espectador indagar sobre o imigrante, a música, o mundo das obras e a classe trabalhadora da região.

Enredo

No restaurante peruano Sudado, no bairro Abasto, em Buenos Aires, estão sendo realizadas últimas reformas a pedido de Percy, o dono do estabelecimento. Dois operários, Ricky, argentino, e Lalo, peruano, trabalham para a construtora que agora é dirigida por Alejo, filho do antigo dono da empresa, morto há uma semana. As atividades foram interrompidas depois do funeral; e o público assiste ao incômodo primeiro encontro após a tragédia. A jornada de trabalho avança, mas a volta para a casa é atrasada pela falta de materiais para terminar a obra.

Em Sudado, o trabalho funciona como anestesia diante da dor e do desencanto que provocam o duelo com o patrão, com a família, com a rotina do dever; o trabalho ameniza o abismo da solidão. Diante da imponente imagem de Machu Picchu na parede, da desordem de um escritório em obras, de cervejas e de uma jukebox, surge nos operários uma silenciosa certeza de merecer algo melhor nesta jornada. Isto lhes imprime uma nova sensação de derrota. E a estampa de Machu Picchu, símbolo da mística peruana, funciona como conexão ilusória entre essas três pessoas que parecem ter em comum, unicamente, esse lugar distante.

Trajetória

O espetáculo já foi apresentado nos seguintes festivais: Mostra Internacional de Teatro (Galícia, Espanha), Cine-Teatro Constantino Nery de Matosinhos (Matosinhos, Portugal), Festival Internacional de Almada (Portugal), Festival Cielos del Infinito (Santiago, Chile), Festival Ida y Vuelta Mza (Buenos Aires), IX Festival Internacional de Buenos Aires, Bienal Arte Jovem de Buenos Aires, PERUBA (Peru em Buenos Aires) e VIII Encontro de Teatro da UNGS 2012 (Universidade Nacional General Sarmiento). Sudado recebeu o prêmio de melhor direção (Jorge Eiro) e melhor ator (Facundo Aquinos) na Bienal de Arte Jovem de Buenos Aires.


Serviço
Temporada: 9 a 14 de dezembro de 2014
Dias e horários: terça a sábado às 20h e domingo às 19h
Local: Espaço da Companhia do Feijão
Rua Teodoro Baima, 68. República/SP. Tel: (11) 3259-9086
Ingressos: grátis (retira na bilheteria 1h antes das sessões)
Duração: 60 min. Gênero: drama. Classificação: 12 anos
Capacidade: 60 lugares. Estacionamento conveniado ao lado: R$ 15,00.

Fonte:VERBENA COMUNICAÇÃO