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O Nosso Villa

Publicada em : 20/08/2014

Grupo de Recife, dirigido por Cecilia Brennand, faz duas únicas apresentações em São Paulo

Hans Manteuffel
A companhia pernambucana Sopro-de-Zéfiro - Cecilia Brennand apresenta, somente nos dias 3 e 4 de setembro, quarta e quinta-feira, o musical O NOSSO VILLA – Um Musical Villa-Lobos, no Sesc Vila Mariana, às 21 horas. A montagem tem origem em trabalho realizado, em 2013, pelo Aria Social, instituição social criada e dirigida por Cecília, e nasceu da pesquisa e encenação sobre a vida e obra de Heitor Villa-Lobos.

Para a noite de estreia (3/9) o grupo ganhou como presente a participação especial da cantora Fafá de Belém. Artista de coração pernambucano, sempre empenhada em causas sociais, ela abriu mão do seu cachê e vai interpretar "Bachianas Nº 5 - Aria Cantilena".

O espetáculo que chega a São Paulo é uma reverência à genialidade e criatividade de Villa-Lobos, reconhecido internacionalmente como o maior compositor brasileiro de todos os tempos. A união da dança contemporânea e do canto ao vivo traz força à atmosfera de O Nosso Villa – Um Musical Villa-Lobos, que tem em cena um elenco de 36 bailarinos cantores, além de sete músicos - regidos pela maestrina Rosemary Oliveira – executando ao vivo algumas de suas mais importantes obras.

Bailarina e parceira de palco da diretora geral do espetáculo, Cecilia Brennand, há quase 40 anos, Beth Gaudêncio assina a concepção e direção de arte de O Nosso Villa. Artista intuitiva e experiente na elaboração de cenários e figurinos do grupo, sempre em plena consonância com a cena, Beth buscou na brasilidade explicita de Villa-Lobos o caminho para a identidade estética do musical, que marca sua estreia oficial como diretora de arte. “Além de bailarina talentosa, Beth sempre mostrou originalidade ao criar figurinos, que já vinham inseridos na cena em questão, deixando clara a sua necessidade de intervir na cena. A partir desse dom natural, foi muito estimulante lhe entregar a responsabilidade pelo trabalho”. Afirma a diretora.

O sucesso do trabalho artístico feito no Aria Social foi determinante para a finalização do roteiro de O Nosso Villa, que ganhou o personagem título, fundamental para humanizar a encenação. Segundo Beth Gaudêncio, o espetáculo é calcado no universo lúdico, sem o compromisso de mostrar na íntegra a trajetória do artista. A música narra os fatos do imaginário e as histórias fantasiosas de Villa, penetrando em seu perfil emocional, sempre carregado de entusiasmo. O Nosso Villa se baseia em fatos narrados por amigos, familiares, músicos, historiadores e biógrafos. Beth escreveu o roteiro em quatro dias, após estudar exaustivamente a vida do músico. “Não é uma biografia, o texto aconteceu a partir das músicas escolhidas pela maestrina: uma seleção perfeita para cantar a vida de Villa-Lobos de maneira mais teatral e menos documental”, comenta.

A coreografia e direção de cena têm a criatividade e o talento de Ana Emília Freire e Carla Machado, que assinam juntas a terceira montagem. A dupla conta que buscou por uma linguagem contemporânea para alinhavar tão diversos temas e cenas que o roteiro propõe. “Para extrair do elenco a verve autoral da dança, em cada cena, tivemos que mergulhar na expressividade do homem e do artista Villa-Lobos”, afirmam.

A montagem tem ainda um diretor teatral convidado, José Manoel Sobrinho, que dirigiu especificamente o ator Edcarlos Rodrigues, intérprete de Villa-Lobos, e duas coreógrafas convidadas, Mônica Japiassu e Maria Inêz Lima. Mônica, pioneira da dança moderna em Recife, assina A Guardiã da Natureza, cena protagonizada por Cecilia Brennand, que a considera mestra e inspiração de uma vida dedicada às artes. Maria Inêz coreografou a Suite Nº 5, que mostra o apartamento de Villa-lobos em Paris, onde recebia artistas e intelectuais para reuniões musicais.

A encenação de O Nosso Villa

De personalidade forte e espirituosa, Heitor Villa-Lobos foi um profundo estudioso e apaixonado pela diversidade das manifestações culturais brasileiras, tendo expressado fortemente estas influências nas suas composições. Parte de seu legado, permeado por essa brasilidade, é descortinado no musical, que inspira um roteiro de contrastes e genialidade, tal qual ele mostrou ser em vida.

Seus ideais de educação musical são representados pelas composições infantis, que resgatam as cirandas e o folclore brasileiro. A influência dos chorões, que marcou a valorização do violão em suas peças, a exuberância da nossa natureza tropical, sua forte ligação com a cultura indígena, a participação na Semana de Arte Moderna de 1922 e o tom clássico de composições na série Bachianas também são contemplados pelo musical.

A maestrina Rosemary Oliveira conta que selecionou alguns compassos de suas Bachianas, choros, prelúdios e cirandas e também da sua obra sinfônica A Floresta do Amazonas. O resultado está no repertório final: Bloco Infantil (Bom Dia/Garibalde/O Castelo/Rosa Amarela/Machadinha/OTrenzinho do caipira); Choro N° 1; Viva o Carnaval; Prelúdio n° 1 para Violão; Evocação; O Canto do Cisne Negro; Bachianas Brasileiras N° 2 – Toccata; Choros Nº 3 – Pica-pau; Bachianas Brasileiras Nº2 – Dança; Suíte n° 5; A Floresta do Amazonas - Caçadores de Cabeça e Veleiro; Bachianas N° 5 - Ária Cantilena; e A Floresta do Amazonas – Ouverture.

Participação especial (3/9): Fafá de Belém

Serviço

Dias 3 e 4 de setembro de 2014
Quarta e quinta-feira – às 21 horas
Sesc Vila Mariana (Teatro) - www.sescsp.org.br
Rua Pelotas, nº 141. Vila Mariana/SP. Tel: (11) 5080-3000
Ingressos: será R$ 15,00 (inteira), R$ 7,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciário).
Bilheteria: Terça a sexta (9h-21h30), sábado (10h-21h30), domingo (10h-18h30).
Estacionamento: R$ 3,00 (+ R$1,00 p/h adicional) e R$ 6,00 (+ R$ 2,00 p/h adicional)
Duração: 80 min. Classificação etária: 10 anos
Hans Manteuffel

Fonte:VERBENA Comunicação