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O Gato de Botas, Uma Aventura no Brasil

Publicada em : 16/10/2013

Fios de rede elétrica e pedaços de bicicletas compõem o cenário de Kleber Montanheiro

Carol Gonzales

Um gato, uma princesa rebelde e um camponês medroso. Junte a eles a rainha, um gigante, piratas atrapalhados e aventuras em alto mar. Por fim, adicione generosas pitadas de cultura brasileira como o samba e o acarajé. Esta é a receita de Fezu Duarte (diretora de Os Saltimbancos - 4 anos em cartaz - e Se Essa Rua Fosse Minha), para nova montagem infantil da Cia. La Mariquita, O Gato de Botas, Uma Aventura no Brasil.

Baseada no clássico O Gato de Botas, escrito em 1697 por Charles Perrault (1628-1703), a encenação transporta os costumes e personagens do século 17 para o Brasil atual, propondo um diálogo entre o “jeitinho brasileiro” e a conhecida malandragem do Gato de Botas. Escrito por Caru Ramos em parceria com Flávia Maria, o infantil aborda aspectos da cultura brasileira, como a música e a culinária. Além de autora, Caru Ramos também integra o elenco ao lado de Diego Rodda, Willian Franklin e Aline Gabriel. Kleber Montanheiro assina cenário e figurinos.

Um moleiro tinha três filhos. Na hora de sua morte repartiu aos herdeiros seus únicos bens. Deu ao primogênito o moinho; ao segundo, o seu burro; e ao mais moço apenas um gato. Este último ficou muito descontente com a parte que lhe coube da herança, mas o gato disse: “Meu querido amo, compra-me um par de botas e, em breve, te provarei que sou de mais utilidade que um moinho ou um asno.”

O personagem já teve participação em três dos quatro filmes de animação Shrek, ganhando projeção com a voz do ator Antônio Banderas e estrelou um filme como protagonista, em 2011, pela DreamWorks. A montagem de Fezu Duarte parte do conto original, um gato astuto que transforma seu dono, um pobre camponês, em um rico marquês, a fim de conquistar uma princesa. Na adaptação da trama, a mocinha rebelde simula seu próprio sequestro por piratas, para fugir da vidinha de princesa e formar uma carreira de detetive em um País chamado Brasil. O gato e seu amo acabam fazendo uma longa viagem, desembarcando na Bahia. Na aventura, os dois vivem grandes experiências, permeando o rico universo da cultura brasileira. “O Gato de Botas me lembra muitas figuras, e a personalidade do brasileiro onde é sempre necessário dar um jeito para se virar. E é exatamente isso que acontece na montagem,” explica Fezu Duarte.

Embalado por canções e ritmos genuinamente brasileiros, desde o samba até a bossa nova, o espetáculo musical conta ainda com personagens marcantes da nossa cultura, como uma baiana que além do sotaque e do acarajé traz também toda a mística da Bahia e um moleque carioca, com seu jeito malandro e despojado, que vende até ingressos para a Copa do Mundo. Segundo a autora Caru Ramos, “o teatro tem a função de transformar, mostrar os arquétipos e nos colocar em contato com o que somos de verdade. Dessa forma, a peça resgata as nossas raízes, revelando às crianças a riqueza e pluralidade do Brasil. Falamos sobre a ginga, a garra e a amizade do povo brasileiro.”

Usando como referência a linguagem dos quadrinhos e desenhos animados, a diretora faz trocas rápidas de cenas com sequencias bem dinâmicas. A trilha sonora de Flávia Maria e Nelson Petrovisck, em parceria com o grupo, mescla canções autorais e músicas conhecidas pela público. Entre as releituras, Burguesinha (Seu Jorge/Gabriel Moura/Pretinho da Serrinha) e E Vamos À Luta, de Gonzaguinha embalam a história que tem até uma versão de Atirei o Pau no Gato, que ganhou uma paródia com melodia de Another Brick In The Wall, do Pink Floyd.

Os figurinos e cenário, de Kleber Montanheiro, também remetem ao universo brasileiro. Fios de postes de luz embaraçados servem de varal para tênis, pipas e bolas de futebol. Esculturas móveis de metal completam o espaço que, segundo o cenógrafo, é inspirado no cotidiano e feito com peças de bicicletas, carrinhos e outros objetos desmembrados. “A nossa proposta é dar re-significado às coisas que existem no dia-dia para que a criança as reconheça. É como se fossem aqueles carrinhos dos catadores de lixo, só que com uma estética completamente diferente, como se fossem uma escultura”. A partir delas, tecem-se a história e o ambiente do espetáculo. O figurino é baseado nas roupas típicas da Europa medieval, porém em todas elas há um toque brasileiro: vestidos, babados e tecidos foram misturados com pequenos recortes de estampas floridas e coloridas.

Apesar da temática infantil, O Gato de Botas, Uma Aventura no Brasil conta ainda com doses de ironia e referências à conjuntura política e social atuais, divertindo principalmente os adultos da plateia.

Para roteiro:
O GATO DE BOTAS, UMA AVENTURA NO BRASIL - Estreia dia 18 de agosto, domingo, às 11h30, no Teatro Viradalata. Direção Geral: Fezu Duarte Concepção: Fezu Duarte e Caru Ramos Texto: Caru Ramos e Flávia Maria. Elenco: Cia. La Mariquita: Aline Gabriel, Caru Ramos, Diego Rodda e Willian Franklin. Trilha sonora original: Flávia Maria e Nelson Petrovisck. Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro. Coreografia: Juliana Sanches. Duração: 50 minutos. Classificação etária: 2 anos. Ingressos: R$ 30,00 e R$15,00. Temporada: Domingos, às 11h30. Até 27 de outubro.

TEATRO VIRADALATA - Rua Apinajés, 1387. Perdizes. Telefone - 11 3868-2535. Tem ar condicionado. Capacidade – 100 lugares. Acessibilidade. Bilheteria - de quarta a domingo a partir das 14 horas. Estacionamento – Vallet a R$ 15,00.  www.viradalata.com.br

Fonte:ARTEPLURAL – Assessoria de imprensa