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Theatro Municipal de São Paulo completa 100 anos

Publicada em : 14/09/2011

Festa com ópera e lançamento de selo e medalha comemorativos

Para homenagear este símbolo da cidade, foram lançados medalha e selo comemorativos, produzidos pela Casa da Moeda e pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Uma montagem inédita da ópera Rigoletto, obra-prima de Giuseppe Verdi, marcou o início da programação especial de aniversário. 

A cerimônia contou com a presença da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, do secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, e da diretora do teatro, Beatriz Franco Amaral. Após o lançamento do selo e da medalha, as autoridades descerraram a placa comemorativa do centenário.

No evento, foram relembrados momentos importantes da trajetória da cidade. "Este monumento da cultura, novinho em folha como há cem anos, resgata a história de São Paulo", disse Guilherme Afif Domingos. A ministra da Cultura destacou o papel decisivo da Semana de Arte Moderna de 22. "Somente do Theatro Municipal de São Paulo poderia ter saído o movimento modernista, vanguarda que mudou a cultura do Brasil", lembrou. E o secretário municipal de Cultura apontou para a manutenção do papel central do espaço na cultura paulistana e brasileira. "Com a política de valorização, o Theatro Municipal, no seu ano 100, recomeça sua trajetória com vigor renovado", destacou Calil.


A comemoração seguiu com a apresentação da ópera Rigoletto. O maestro Abel Rocha assina a direção musical e a regência do espetáculo comemorativo, que conta com direção cênica de Felipe Hirsch e cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara. Rigoletto é baseada na peça Le Roi s'Amuse. Entre os pontos mais conhecidos da composição, estão as árias La Donna È Mobile e Caro Nome.

Programação de aniversário
A programação comemorativa do centenário acontece durante todo o mês de setembro. A Orquestra Experimental de Repertório (OER) apresenta, dia 18, às 11h, um concerto com a participação da soprano Rosana Lamosa e do tenor Fernando Portari, que interpretam árias de óperas, como o dueto final do primeiro ato de La Bohème, de Giacomo Puccini.

No dia 25, às 11h, Abel Rocha, diretor artístico do Theatro Municipal e regente da Orquestra Sinfônica Municipal (OSM), conduz o conjunto na execução de peças de João Guilherme Ripper, Camille Saint-Saëns, Frederico Richter e Maurice Ravel. A apresentação conta com a participação dos solistas Gilberto Tinetti e Fernando Lopes nos pianos.

O Balé da Cidade de São Paulo encerra as comemorações com a coreografia Paraíso Perdido. Criado pelo coreógrafo grego Andonis Foniadakis, o espetáculo tem figurinos assinados pelo estilista João Pimenta e será encenado entre os dias 27 e 30.

O teatro também preparou um programa educativo diferenciado para o aniversário: os roteiros de visitas monitoradas passaram a incluir o Museu do Theatro, onde os participantes conhecem a história da instituição, e o Espaço Memória Votorantim. O setor educativo também possui um projeto de formação de platéia em música e dança, direcionado ao público infanto-juvenil.

Restauração
Para a grande comemoração dos 100 anos, o teatro foi restaurado e ganhou a atualização da aparelhagem do palco. As fachadas e a ala nobre foram renovadas, 14.262 vidros que compõem os conjuntos de vitrais recuperados e as pinturas decorativas resgatadas com base em fotos antigas.

Foi feita a substituição das varas cênicas, com aumento de quantidade e de capacidade de elevação; produção da nova estrutura metálica no urdimento; instalação de nova iluminação cênica, com reposicionamento de refletores frontais, aquisição de novos projetores e mesa de luz; tratamento acústico do fosso da orquestra; adoção de portas acústicas na caixa cênica e implantação de sistemas de sonorização e de vídeo. Todos os equipamentos são ligados em modernas mesas de controle eletrônico.

O Theatro Municipal de São Paulo também passa por uma renovação no modelo de gestão. Em maio de 2011, passou de departamento da Secretaria Municipal de Cultura a Fundação de Direito Público, o que confere maior agilidade e autonomia à administração. O Municipal é a sede das escolas de música e dança, além de seis corpos estáveis: a OSM, a OER, o Balé da Cidade, o Quarteto de Cordas, o Coral Lírico e o Coral Paulistano.

História
Mais de 20 mil pessoas foram até o Anhangabaú acompanhar a inauguração do Teatro Municipal no dia 12 de setembro de 1911. Dentro da sala de espetáculos, 1.816 espectadores assistiram a um pequeno concerto com um trecho de O Guarani, de Carlos Gomes. Após este ato inaugural, o primeiro espetáculo foi a ópera Hamlet, baseada no drama de William Shakespeare, dirigida por Thomas Ambroise. A voz pertencia ao mais célebre barítono do período, o italiano Titta Ruffo.

Com 3.600 metros quadrados, o teatro era o edifício mais alto da cidade em 1911. Ao longo das primeiras décadas, teve programação de música centrada principalmente em grandes companhias de ópera, orquestras e solistas eruditos. Entre 1912 e 1926, foram apresentados 270 espetáculos, com 88 óperas de 41 compositores. Ao longo da sua história, passaram pelo palco grandes estrelas, como os bailarinos Isadora Duncan e Nijinsky, o tenor italiano Enrico Caruso, a soprano brasileira Bidu Sayão, o grande regente Arturo Toscanini e a diva Maria Callas.

Em fevereiro de 1922, o teatro recebeu um marco da arte brasileira: a Semana de Arte Moderna. Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Di Cavalcanti, Víctor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, entre outros, causaram a ira de alguns paulistanos por apresentarem suas obras modernistas.

Toda a história deste grande teatro está reunida no Museu do Teatro Municipal. Criado em 1983, o espaço abriga material documental, biblioteca, arquivo fotográfico, audiovisual e recortes de jornais.

Fonte:SECOM - Prefeitura da Cidade de São Paulo Coordenação de Imprensa